domingo, 21 de outubro de 2012

Imergir


Ele gostava da nossa música, até mais que eu, que foi quem escolheu. Ele ficava cantarolando às vezes e me irritava: Wherever you go, whatever you do, I will be right here waiting for you…
Tão cliché, nada original. Não tem nada de mim nessa música. É como uma piada que, no momento, virou nossa canção.
Essa música me soa forçada e a melodia dela está na minha cabeça, junto com você me dizendo pra não estragar tudo de novo. Com você me amarrando ao pé da cama, se certificando de que eu não posso me livrar disso ainda. Com você me fazendo de brinquedo de sexta a domingo e me dizendo pra ficar, mas sem expectativa de me soltar.
Essa melodia me prende como todas as coisas que você disse enquanto eu fingia não ouvir, enquanto estava preocupada em garantir o meu lugar entre os lençóis  azuis.
A gente é esse refrão bobinho e essa melodia batida que me irrita porque não é original. Nós não tivemos nem 90 minutos, pensei que era o mínimo das histórias de amor. Não nos encaixamos em nada além do silêncio do seu quarto, dos lençóis e do abraço.
Agora, sentados aqui, um olhando pra cara do outro como quem acabou de se expandir, eu poderia tentar nos definir, mas ainda não sei o que somos.

Um comentário:

Ana C. disse...

O problema das definições é que elas estragam os relacionamentos. Quando isso não acontece, são as pessoas que estragam mesmo.