segunda-feira, 4 de julho de 2011

Rogério, Cat Power e a Insônia

Não tenho problema nenhum e tenho que colocar isso na minha cabeça, pra não me achar maluca. Não tenho problema, mas sempre achei que precisava de ajuda de um psicólogo.

Tava lá, Rogério blábláblá, gostei, pareceu convincente o nome. O nome diz muito sobre uma pessoa, eu achei que o nome dele combinava com a profissão, dava crédito, liguei, marquei. Não consegui dormi. De duas da manhã até agora ouvindo Cat Power (que eu tinha prometido não ouvir mais, tristeza osmótica). Não dormi porque tenho insônia, não pela consulta. Rogério nem tinha face ainda pra eu me sentir acuada de estar em sua, no momento, não-presença. Eu tava ansiosa pra caralho, confesso, mas era pelo medo. Vai que ele também me acha confusa demais e me manda para um psiquiatra... Psiquiatra é coisa de maluco, eu não sou maluca! Eu não iria, preconceito, eu sei, mas não iria! Vai que ele me acha superficial... Que depois de ter sido chamada de superficial dias antes, é complicado me achar profunda e falar das minhas teses sobre o que o mundo conspira contra mim. E se ele me achar chata e ficar bocejando toda hora que achar que eu não tô reparando? Eu tô sempre reparando! Vai que eu fique sem o que dizer e perca dinheiro ficando calada e ele me encarando e eu odiando tudo, porque eu odeio que me encarem. E se eu falar demais e começar a atropelar as palavras e os assuntos, com medo de não dar tempo e com o fato de não querer esperar outra semana e outra sessão, como se eu não fosse viver até lá pra contar o quanto todo mundo é chato e egoísta e eu sou egoísta, porque pagar alguém pra te ouvir é provavelmente o cúmulo do egoísmo ou egocentrismo ou "egocentroísmo", numa mistura completamente entediante de um ego dentro de outro ego sendo o centro de um monte de besteiras resumidas a minutos que não passam pra ele e a hora curta demais pra mim. E eu jamais diria todas essas coisas que eu penso e ele não teria acesso a essa área sobre o que eu penso que ele pensa. Onde nós trocamos de lugar sem ele saber e eu analiso tudo o que ele faz e diz e como age e começo outra tese baseada em tudo que eu não sei explicar em um desconhecido que me ouve ou não e que provavelmente faz anotações do tipo “levar o cachorro ao veterinário e pegar o Fabinho no dentista”.

Talvez eu pudesse apenas dizer que eu tenho uma insônia filha da mãe e que não é costume, não é hábito, é insônia, porra! E talvez fingisse que isso me deixa muito estressada e contasse algumas mentiras dramáticas, então ele me receitaria alguns remédios e as coisas ficariam bem. Os remédios me acalmariam, me fariam dormir, me anestesiariam, me fariam levar a vida. Na melhor das hipóteses isso, na pior, alguma coisa sobre sair mais, fazer amizades ou levar a vida na esportiva (só se isso significasse assistir um jogo de vôlei na praia e esportivamente pegar o facebook de todos e investir firme, só pra treinar a esportiva sem compromisso).

Eu tava pirando na neurose do que o Rogério-sem-face-ainda acharia de mim. E pirei um pouco mais na tristeza osmótica e power da Cat. Uma gata power que te deixa depressiva e que te faz pensar que se uma vida é foda, ter sete seria o inferno na Terra! Liguei, desmarquei. Quem precisa de psicólogo é maluco! Eu não sou maluca! Desliguei e fui dormir. Insônia com nome e sem face. Insônia-hábito. E eu não sou maluca. Insônia com telefone a gente liga, desmarca e dorme. Porque insônia pira qualquer um. Rogério me curou da minha.

Um comentário:

BelaTeixeira disse...

Uau, garota, vc se supera!

[em dias de insônia imapciente e teimosa]