sábado, 11 de junho de 2011

Do Fundo Pro Fundo Profundo


Você me vive sempre assim, quando eu não sei viver? 
Sua vida analisa a minha de longe e você escreve sobre o que? 
Que realidade barata é essa que tu inventa pra mim? 
Por que você tem que viver em mim e não estar comigo? 
Que corda é essa que tu tira da imaginação pra me puxar de onde quer que eu esteja? 
Você tem sempre corda pra me dar? 
Eu não posso te tocar nunca? 
Eu não sei como você consegue ser de chumbo e ser tão ágil. Não é de chumbo? Então é de aço! Não posso te tocar sem me quebrar. É castigo? 
Não faço a menor ideia de quem você anda salvando enquanto eu sorrio. 
Você ri meu riso ou só me vive quando eu não sei viver? 
Você segue a mesma linha de pensamento e essa é a única coisa que nos liga enquanto estamos nesse vão purpúreo que tem dentro da gente. Eu não posso deixar você me tocar sem quebrar e também não posso andar na linha. Eu vou embora se soltar dessa corda. Eu vou direto pro fundo. Pro fundo de mim, que não faz sentido sem suas coordenadas. E o vento forte me desmonta quando você não dá abrigo. Eu não quero te tocar, mas você é tudo que leio quando não consigo enxergar. 
Inconstante demais, você se desmancha quando não pode. Você mancha a minha vida com rasuras e me aventura nas palavras. Você diz não quando é sim e não quando é não, você está cheio de nãos dentro de mim. Você segura a barra com apenas dois dedos. Seu sorriso que eu não vejo não me distrai. Você me coloca em câmera lenta e corre. Porque sempre tão longe vivendo em mim? 
Duvido que São Paulo brilhe mais que a púrpura que tenho. Eu duvido que chova mais aí que aqui dentro. Você não pode me tocar, mas fala sobre mim como se soubesse como é. Como se buscasse o que eu não tenho. Você me olha com olhar de quem olha falha. 
Eu errei quando não existi. Nem pra ser tocada, nem dentro de mim. E você soltou a corda numa distração boba com o que eu não sei viver. Eu caí. Caí direto no vão da realidade barata que um dia você se esforçou pra inventar, na tentativa de me fazer viver e existir, como se fosse possível os dois, ao mesmo tempo, fora da imaginação. Sem corda. No fundo.
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Pra ler ouvindo: Adele - Turning Tables

Um comentário:

Yuri Kiddo disse...

"Você diz não quando é sim e não quando é não, você está cheio de nãos dentro de mim."

do caralho hein jule,
parabéns!

e cabeção, poe pra ler ouvindo no começo do post! no final eu já li né! hauahua =***

*supsu*