terça-feira, 14 de junho de 2011

Dantesco - Desesperos Tardios IV

Nada pra lembrar você. Nem fim ou começo. Minha vida, um vazio da gente. Na gente outros vazios de sei lá o que. A coragem de dizer o que pensa e a vergonha de dizer o que se sente. Eu deserto, você concreto, a gente perdido no limbo. Nossas mentes num suicídio contínuo. O amor se jogando do abismo. Nada pra lembrar você. Eu asfalto, você esfalfado, me pisa e não machuca, qualquer um sabe que o que fere é salto agulha. Dança com a minha alma há séculos e brinca de me fazer esperar. Me encaixando em modelos que não são meus. Refletindo, reinventando, reformulando o inferno, revivendo o inverno do ano que não passou, reconstruindo seu mundo com paredes de hipocrisia que qualquer um pode ver. Você desmonta e nega, você acaba e não recomeça. Você sempre chega ao fim de tudo sem nada pra lembrar você.

2 comentários:

Laura Ferreira disse...

Gosto de te ler.

• Yuri Kiddo • disse...

ficou muito bom ju!
o final como sempre afiado e afinado!