terça-feira, 14 de junho de 2011

Dantesco - Desesperos Tardios IV

Nada pra lembrar você. Nem fim ou começo. Minha vida, um vazio da gente. Na gente outros vazios de sei lá o que. A coragem de dizer o que pensa e a vergonha de dizer o que se sente. Eu deserto, você concreto, a gente perdido no limbo. Nossas mentes num suicídio contínuo. O amor se jogando do abismo. Nada pra lembrar você. Eu asfalto, você esfalfado, me pisa e não machuca, qualquer um sabe que o que fere é salto agulha. Dança com a minha alma há séculos e brinca de me fazer esperar. Me encaixando em modelos que não são meus. Refletindo, reinventando, reformulando o inferno, revivendo o inverno do ano que não passou, reconstruindo seu mundo com paredes de hipocrisia que qualquer um pode ver. Você desmonta e nega, você acaba e não recomeça. Você sempre chega ao fim de tudo sem nada pra lembrar você.

sábado, 11 de junho de 2011

Do Fundo Pro Fundo Profundo


Você me vive sempre assim, quando eu não sei viver? 
Sua vida analisa a minha de longe e você escreve sobre o que? 
Que realidade barata é essa que tu inventa pra mim? 
Por que você tem que viver em mim e não estar comigo? 
Que corda é essa que tu tira da imaginação pra me puxar de onde quer que eu esteja? 
Você tem sempre corda pra me dar? 
Eu não posso te tocar nunca? 
Eu não sei como você consegue ser de chumbo e ser tão ágil. Não é de chumbo? Então é de aço! Não posso te tocar sem me quebrar. É castigo? 
Não faço a menor ideia de quem você anda salvando enquanto eu sorrio. 
Você ri meu riso ou só me vive quando eu não sei viver? 
Você segue a mesma linha de pensamento e essa é a única coisa que nos liga enquanto estamos nesse vão purpúreo que tem dentro da gente. Eu não posso deixar você me tocar sem quebrar e também não posso andar na linha. Eu vou embora se soltar dessa corda. Eu vou direto pro fundo. Pro fundo de mim, que não faz sentido sem suas coordenadas. E o vento forte me desmonta quando você não dá abrigo. Eu não quero te tocar, mas você é tudo que leio quando não consigo enxergar. 
Inconstante demais, você se desmancha quando não pode. Você mancha a minha vida com rasuras e me aventura nas palavras. Você diz não quando é sim e não quando é não, você está cheio de nãos dentro de mim. Você segura a barra com apenas dois dedos. Seu sorriso que eu não vejo não me distrai. Você me coloca em câmera lenta e corre. Porque sempre tão longe vivendo em mim? 
Duvido que São Paulo brilhe mais que a púrpura que tenho. Eu duvido que chova mais aí que aqui dentro. Você não pode me tocar, mas fala sobre mim como se soubesse como é. Como se buscasse o que eu não tenho. Você me olha com olhar de quem olha falha. 
Eu errei quando não existi. Nem pra ser tocada, nem dentro de mim. E você soltou a corda numa distração boba com o que eu não sei viver. Eu caí. Caí direto no vão da realidade barata que um dia você se esforçou pra inventar, na tentativa de me fazer viver e existir, como se fosse possível os dois, ao mesmo tempo, fora da imaginação. Sem corda. No fundo.
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Pra ler ouvindo: Adele - Turning Tables

quarta-feira, 1 de junho de 2011

#6

Quando você disse que me amava em partes, não levei como provocação, foi só teu jeito de dizer que nunca me amaria completamente. E quando eu disse que foi a coisa mais importante que tu tinha dito nos últimos três meses não foi desmerecendo o que foi dito, foi aceitando a realidade que tu me deu.
Se eu seguro tua mão e digo "tudo bem", é porque tá tudo bem, cansei de mentir faz tempo. Se tu me perguntar por que não, eu te explico, que pra você eu tenho paciência estendida. Se eu falo que é melhor, acredita, sei tão bem quanto a palma da minha mão, sei tão bem quanto sei que minha linha da vida é curta. E tu que já quis me dar a tua, pra ver se esticava a minha e posicionou sua mão e me fez dizer suas palavras mágicas e disse que tava feito, que eu era sua e fui. E sou até agora, até amanhã com certeza, até depois eu não sei mais. Até você.
Até você dizer que não, que resolveu mudar e que mudar faz parte e que pessoas partem e corações também. Até você voltar, até eu aceitar, até você sorrir e eu aqui de mártir. Se a carapuça serve então veste e se ficar justo demais, tudo bem, que eu te quero pequeno pra caber na minha intenção, numa canção, no til do ão que engrandece tudo.
Pequeno pra caber em mim. Que eu já não aguento toda essa gente grande me pedindo colo, me puxando o braço, me dizendo coisas, me guardando nãos. Não aguento essa gente que só quer a solução, então abre a tua mão, que eu sou tão pequena que tô aí escondida, perdida na tua linha do coração.