quinta-feira, 19 de maio de 2011

Desesperos Tardios II

Tenho pensado em você diariamente e por mais medo que isso me dê, eu não sinto em você um risco iminente. Só é estranho eu ser inteiramente eu perto de você, porque você não é a pessoa certa pra ninguém, foi o que você disse e foi o que eu guardei. Eu tenho isso, minha cabeça sempre guarda as coisas extremas que as pessoas dizem ou fazem, como um filtro que aumenta o impacto de tudo para que soem de uma forma realista e me façam ficar sempre alerta.

Eu tenho uns espinhos e placas de egoísmo e rusticidade que já usei contigo e que só serve mesmo pra eu me defender de pessoas que estejam chegando perto demais daquilo que eu não posso ser sempre.

E todas essas artimanhas de autodefesa com você só serviram pra me deixar triste e preocupada, pensando em como você ficou depois e querendo me desculpar e prometer que não voltaria a acontecer, mas é como um vício, eu não consigo me livrar assim tão de repente, mas você me ajuda e me dá carinho e por mais que seja pouco naquele momento, é o que temos pra hoje e pra amanhã e é o que vamos ter quando nos virmos novamente, só esse pouquinho que não ultrapassa nossos limites e que revitaliza pra semana.

A ideia é que eu quero pensar em você sempre assim, como alguém que tem carinho aos montes e que gostou de mim à segunda vista. Alguém que é meio idiota, como qualquer homem que tenta parecer homem suficiente no meio de outros homens. Alguém que deve ser cheio de medos, que eu não conheço, mas que confiou em mim. Sei lá porque, mas eu gosto de você.

"Espero lhe ver, lhe encontrar, tenho 29 beijos pra lhe dar".

sexta-feira, 13 de maio de 2011

#5

Mil anos de choro alí. Calada, na chuva, em frente a qualquer coisa que me proporcionou mil anos de choro guardado.

Mil anos de choro copiosamente exposto, supostamente entendido e inevitavelmente recolhido pela chuva.

Mil anos de choro levados no bolso esquerdo da blusa dele.

Mil anos pra isso. Um mar de lágrimas.

Mil anos e nada mais que morrer na minha própria praia.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Dodecafônico

Procurei em tantos lugares e te achei no dicionário.

Definindo meu indefinido estava lá explicadinho, você: Unidade de medida tipográfica, equivalente a 12 pontos.

Eu não poderia crer que falavam de outra coisa ou outro alguém, que pra me impressionar você se pressionou em mim e me marcou e nessa coisa boba de quem acaba de descobrir o amor e não sabe como agir e tenta igualar a alguma coisa que faça parecer menos loucura, aceitei o 12. Numa escala de 0 a 10 você sem dúvida é 12.