sexta-feira, 11 de março de 2011

Da Prisão no Céu II

Sinto falta demais do que não tive por muito tempo e li um texto da Tati Bernardi outro dia que era você me faltando todinho. Era um texto que falava do pouco tempo e da gente. Era a gente mesmo, ela me incorporou e em primeiríssima pessoa gritou a minha falta de VOCÊ em caixa alta.
E numas linhas ela fala de não se sentir esperando e nem desesperado, o que me lembrou meu maior confidente dos últimos tempos: Caio Fernando Abreu, que me lembrou você com nome próprio.
Você não cantou nenhuma música, mas eu sei que você pode e que deve cantar muito bem porque tua voz é linda. E não tem mais ninguém que eu queira tanto hoje. E agora eu tenho um monte de textos e frases e coisas sobre você que dava pra fazer um livro, desses que dá esperança às moças, encoraja os rapazes e faz a gente sonhar com bodas. Demos muito certo desde o início. Mas e quando eu penso que estraguei tudo? E quando chega essas horas em que eu penso em você e me culpo por ter feito as escolhas erradas? O que é que eu faço comigo? O que eu faço contigo que sei por onde anda, mas não sei quando? Que faço com o que eu sinto, e agora José? E agora você?
E eu me lembro de estar de frente pra você e ter encostado meu rosto no teu peito e comentar, sem pensar, que poderia ficar alí pra sempre e sentir, com a cabeça ainda em você, que você sorriu. E agora sem você? E agora que todo mundo ficou chato de novo? E agora que o porre não funciona mais? E agora que minha vontade é mandar o mundo calar a boca pra que haja silêncio suficiente pra você me ouvir sussurrar teu nome em qualquer lugar? E agora?
Pra onde vão os amores que não começam? Os que não dão tempo de registrar? Pra onde vai o amor que não foi nomeado amor? Vai pra sola do sapato? Fica dentro do táxi? Pra onde vai o amor que ninguém vê acontecer? O amor abortado, amor prematuro, pra onde ele vai? Ele foi pro inferno? Foi pro seu bolso? Você checou os bolsos quando tirou a calça? Você achou amor derramado na sala? A empregada olhou pro amor na tua janela e pensou que fosse merda de passarinho? O amor brotou no vasinho de plantas que tua mãe insiste em deixar na sala e você não quis ver? Pra onde foi esse amor que era o nosso? O amor que podia dar certo e só deixou o gostinho, ainda reencarna amor se a gente esperar um pouco? Seu peixe morreu e levou o amor na caixinha de sapatos? Seu irmãozinho pegou o amor pra brincar e perdeu?
Pra onde vai o amor que eu não consigo acompanhar? Essa droga, essa coisa estúpida que alguns acham, outros falsificam, mas que todo mundo prova ou quase isso? Essa minha maldita obsessão pelo amor. Que me foge e que por vezes penso não gostar de mim. O amor não me ama, mas que se dane o amor, eu quero saber de você. Você me ama?

2 comentários:

BelaTeixeira disse...

Amo essa tua intensidade desmedida...
Isso é coisa de quem ama... demais.

• Yuri Kiddo • disse...

e pra onde vai tudo que se perde?