sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

#1

E o pequeno E.T perguntou ao menino: Você gosta de mim por que gosta ou sou só mais uma aberração divertida?

O ingênuo menino respondeu: Faz diferença?

Então eu acordei meio verde, com o coração batendo por dois, quase fora do peito, quase fora de mim.

Aprendi a fazer as pessoas de vítimas e ser o monstro. Nego tudo que sinto porque eu não sei fazer direito, não sei dizer ou agir, não sinto direito também. Como um defeito incorrigível.

Aprendi que minto bem quando digo não, mas de resto eu não sei mentir, talvez por isso eu diga tantos nãos. Sou um monstro que tenta salvar as pessoas do perigo que eu sou.

Todos veem apenas alguns porcentos de mim, os que me fazem diferente ou os que eles tentam gostar, os de mentira.

Não sei pedir ajuda, não sei falar algumas palavras ainda, não sei segurar mãos, nem sei de abraços demorados. Só sei desses sorrisos rápidos, toques leves, uma aproximação desaproximada e mais nada.

Não sei ser boa o bastante, não sei não me perder e sou confusa, o que ninguém gosta todo mundo encontra em mim.

Por isso eu abro mão, sou a segunda opção, sou o depois da hora, depois de tudo, pra recuperar.

Por isso que eu sou tão cheia de armadilhas que ferem, eu não sei lidar com a vida.

As coisas que eu aprendi me fizeram desacreditar de mim.

Nada me atinge quando eu não atinjo nada.