quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

#7

-Não gosto muito de gente. 
-Gente é chato né? Nunca te aceitam completamente...
-Vamos nascer esquilos da próxima vez?
-Ué, queria ser borboleta...
-Borboleta antes de ser borboleta é meio nojento, esquilo é sempre esquilo!
-Esquilo esconde a comida na boca!
-Não esconde, só guarda, porque levar de noz em noz é muito trabalhoso!
-Que decepção!
-Vamos ser esquilos que comem cenoura?
-Existe?
-Sei lá, a gente é tão do contra que é capaz de nascermos esquilos que gostam de cenoura...
-Ah... Então tá. Tem mais hamburger aí?
-Não quer treinar comer cenoura pra próxima vida?
-Ah, não, quero aproveitar a carne dessa aqui!



Te espero na árvore mais próxima com uma noz de boas-vindas. 
E quer saber de uma coisa? Borboletas não vivem muito, eu odiaria  esperar tanto pra passar tão pouco tempo com você.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Pra Você Dar o Nome


Você praí e eu aqui querendo saber como faz pra continuar. Dança hoje meu bem, que hoje é o dia do samba!
Eu só não saio por aí cantando a minha felicidade porque não é qualquer ser humano que aguenta o riso prolongado e a melodia do outro.
Os nossos risos juntos formam uma clave de sol e o sol ria, de noite o sol ria com a gente rodando em volta.
Antes de você eu era um solfejo sem graça e hoje a graça é desafinar na nossa canção.

domingo, 6 de novembro de 2011

Desesperos Tardios V

Pra onde vai tudo que se pede?
Pra onde vai tudo que se perde?
Onde está tudo que se pede quando a gente perde?

Da Prisão no Céu III - "Passa-do-ponto"

Onze meses, quatro prisões num céu cor de laranja e tudo demais, menos você.
Dessa vez tá mais pra uma quase liberdade do que pra uma prisão em si. 
Depois de doses homeopáticas de ti me vi dependente, mas passou. Tá passando... 
Você na Praia Vermelha, tingiu a praia com meu coração e passou.
Passei por vários lugares procurando você, mas não te achei, porque você, passado.

domingo, 14 de agosto de 2011

Go Ahead and Take My Hand - Catástrofes Naturais VI

E não tem o que ser feito, agora é ir em frente.

Chorar o que tiver que chorar, se tiver choro e se houver vontade, senão a gente ri e acaba chorando de rir e entre uma lágrima e outra há de ter uma que carregue a dor que não saiu antes e no instante vai despercebida.

A gente guarda o que achar que vale a pena no coração guardar que o resto o tempo se encarrega de fazer esquecer. Aprendendo a dar as mãos e abraçar os momentos mais raros, desenhando a quarta folha no trevo por conta própria, que a nossa sorte é a gente quem faz.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Tangenciando o Intangível

Esperando milagres noturnos

Olhando o vizinho e esquecendo de semear nosso amor

A flor murchou com as ervas daninhas que nasceram

Brotos de vida e um aborto espontâneo da liberdade

Quebrando os vidros do nosso teto sobre as nossas almas

Acorrentando a sombra que foge com o sol

Apertando os laços na (a)marra

Acordando com dois pés esquerdos beligerantes

E mostrando meus defeitos como uma fratura exposta

Rompendo ligamentos com ligações

Improvisando um espetáculo velho todo novo dia

Pedindo licença pra sair de situações das quais nem me envolvo

Desenvolvendo modos de me esquivar de você

Você se esquivando do amor

Um amor que serve pra que?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Rogério, Cat Power e a Insônia

Não tenho problema nenhum e tenho que colocar isso na minha cabeça, pra não me achar maluca. Não tenho problema, mas sempre achei que precisava de ajuda de um psicólogo.

Tava lá, Rogério blábláblá, gostei, pareceu convincente o nome. O nome diz muito sobre uma pessoa, eu achei que o nome dele combinava com a profissão, dava crédito, liguei, marquei. Não consegui dormi. De duas da manhã até agora ouvindo Cat Power (que eu tinha prometido não ouvir mais, tristeza osmótica). Não dormi porque tenho insônia, não pela consulta. Rogério nem tinha face ainda pra eu me sentir acuada de estar em sua, no momento, não-presença. Eu tava ansiosa pra caralho, confesso, mas era pelo medo. Vai que ele também me acha confusa demais e me manda para um psiquiatra... Psiquiatra é coisa de maluco, eu não sou maluca! Eu não iria, preconceito, eu sei, mas não iria! Vai que ele me acha superficial... Que depois de ter sido chamada de superficial dias antes, é complicado me achar profunda e falar das minhas teses sobre o que o mundo conspira contra mim. E se ele me achar chata e ficar bocejando toda hora que achar que eu não tô reparando? Eu tô sempre reparando! Vai que eu fique sem o que dizer e perca dinheiro ficando calada e ele me encarando e eu odiando tudo, porque eu odeio que me encarem. E se eu falar demais e começar a atropelar as palavras e os assuntos, com medo de não dar tempo e com o fato de não querer esperar outra semana e outra sessão, como se eu não fosse viver até lá pra contar o quanto todo mundo é chato e egoísta e eu sou egoísta, porque pagar alguém pra te ouvir é provavelmente o cúmulo do egoísmo ou egocentrismo ou "egocentroísmo", numa mistura completamente entediante de um ego dentro de outro ego sendo o centro de um monte de besteiras resumidas a minutos que não passam pra ele e a hora curta demais pra mim. E eu jamais diria todas essas coisas que eu penso e ele não teria acesso a essa área sobre o que eu penso que ele pensa. Onde nós trocamos de lugar sem ele saber e eu analiso tudo o que ele faz e diz e como age e começo outra tese baseada em tudo que eu não sei explicar em um desconhecido que me ouve ou não e que provavelmente faz anotações do tipo “levar o cachorro ao veterinário e pegar o Fabinho no dentista”.

Talvez eu pudesse apenas dizer que eu tenho uma insônia filha da mãe e que não é costume, não é hábito, é insônia, porra! E talvez fingisse que isso me deixa muito estressada e contasse algumas mentiras dramáticas, então ele me receitaria alguns remédios e as coisas ficariam bem. Os remédios me acalmariam, me fariam dormir, me anestesiariam, me fariam levar a vida. Na melhor das hipóteses isso, na pior, alguma coisa sobre sair mais, fazer amizades ou levar a vida na esportiva (só se isso significasse assistir um jogo de vôlei na praia e esportivamente pegar o facebook de todos e investir firme, só pra treinar a esportiva sem compromisso).

Eu tava pirando na neurose do que o Rogério-sem-face-ainda acharia de mim. E pirei um pouco mais na tristeza osmótica e power da Cat. Uma gata power que te deixa depressiva e que te faz pensar que se uma vida é foda, ter sete seria o inferno na Terra! Liguei, desmarquei. Quem precisa de psicólogo é maluco! Eu não sou maluca! Desliguei e fui dormir. Insônia com nome e sem face. Insônia-hábito. E eu não sou maluca. Insônia com telefone a gente liga, desmarca e dorme. Porque insônia pira qualquer um. Rogério me curou da minha.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dantesco - Desesperos Tardios IV

Nada pra lembrar você. Nem fim ou começo. Minha vida, um vazio da gente. Na gente outros vazios de sei lá o que. A coragem de dizer o que pensa e a vergonha de dizer o que se sente. Eu deserto, você concreto, a gente perdido no limbo. Nossas mentes num suicídio contínuo. O amor se jogando do abismo. Nada pra lembrar você. Eu asfalto, você esfalfado, me pisa e não machuca, qualquer um sabe que o que fere é salto agulha. Dança com a minha alma há séculos e brinca de me fazer esperar. Me encaixando em modelos que não são meus. Refletindo, reinventando, reformulando o inferno, revivendo o inverno do ano que não passou, reconstruindo seu mundo com paredes de hipocrisia que qualquer um pode ver. Você desmonta e nega, você acaba e não recomeça. Você sempre chega ao fim de tudo sem nada pra lembrar você.

sábado, 11 de junho de 2011

Do Fundo Pro Fundo Profundo


Você me vive sempre assim, quando eu não sei viver? 
Sua vida analisa a minha de longe e você escreve sobre o que? 
Que realidade barata é essa que tu inventa pra mim? 
Por que você tem que viver em mim e não estar comigo? 
Que corda é essa que tu tira da imaginação pra me puxar de onde quer que eu esteja? 
Você tem sempre corda pra me dar? 
Eu não posso te tocar nunca? 
Eu não sei como você consegue ser de chumbo e ser tão ágil. Não é de chumbo? Então é de aço! Não posso te tocar sem me quebrar. É castigo? 
Não faço a menor ideia de quem você anda salvando enquanto eu sorrio. 
Você ri meu riso ou só me vive quando eu não sei viver? 
Você segue a mesma linha de pensamento e essa é a única coisa que nos liga enquanto estamos nesse vão purpúreo que tem dentro da gente. Eu não posso deixar você me tocar sem quebrar e também não posso andar na linha. Eu vou embora se soltar dessa corda. Eu vou direto pro fundo. Pro fundo de mim, que não faz sentido sem suas coordenadas. E o vento forte me desmonta quando você não dá abrigo. Eu não quero te tocar, mas você é tudo que leio quando não consigo enxergar. 
Inconstante demais, você se desmancha quando não pode. Você mancha a minha vida com rasuras e me aventura nas palavras. Você diz não quando é sim e não quando é não, você está cheio de nãos dentro de mim. Você segura a barra com apenas dois dedos. Seu sorriso que eu não vejo não me distrai. Você me coloca em câmera lenta e corre. Porque sempre tão longe vivendo em mim? 
Duvido que São Paulo brilhe mais que a púrpura que tenho. Eu duvido que chova mais aí que aqui dentro. Você não pode me tocar, mas fala sobre mim como se soubesse como é. Como se buscasse o que eu não tenho. Você me olha com olhar de quem olha falha. 
Eu errei quando não existi. Nem pra ser tocada, nem dentro de mim. E você soltou a corda numa distração boba com o que eu não sei viver. Eu caí. Caí direto no vão da realidade barata que um dia você se esforçou pra inventar, na tentativa de me fazer viver e existir, como se fosse possível os dois, ao mesmo tempo, fora da imaginação. Sem corda. No fundo.
________________________________________
Pra ler ouvindo: Adele - Turning Tables