sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

I see you

Devia ser março, pelo calor que fazia devia sim ser uma tarde de Peixes. De noitinha poderia jurar que era julho, mas com aquele suor que não conseguia conter apostaria qualquer coisa que era março e rezaria baixinho para que acabasse logo. Não tinha nada contra o mês, só as tardes de miragem o inquietavam.

Andava pelas ruas da capital do Rio, nessas mesmas tardes onde peixes deviam sofrer com a baixa dos mares. Conheceu Stª. Tereza e pegou carona em seus bondes amarelos, pela Cinelândia todo um mundo de filmes que guardava na mente. Passando pelo Cristo viu seus braços abertos sobre uma Guanabara diferente. Pela Lapa viu sua roda de samba modificada e seus choros menos chorosos que de costume. Esteve na Primeiro de Março visitando o Centro Cultural que mais gostava. Visitou seu antigo Jardim Suspenso, que apesar de hoje ser a Escadaria de Selarón, pra ele ainda é um Jardim, só que agora de azulejos. Ouviu seu jazz de sempre no Café Cultural. Também esteve na Barra, em Copacabana e a procura de uma garota em Ipanema.

Esteve em todos os lugares em que quis estar, pra relembrar todas as coisas que agora estavam mudadas e lhe traziam sensação se nostalgia. Capaz ainda de lembrar das conversas ao pé do ouvido, da malandragem antiga, da bossa cheia de verso no Beco da Garrafa, onde Vinícius costumava ir. E aquela prosa de boemia, que varava a noite e varria o dia. Era tudo solidão agora, pensamentos vagos, no centro do Rio, sem vagas, ao meio-dia.

Ninguém o sabe parado, velho, influenciado pelas lembranças do resto desse sol de março, mas ele continua lá, você não o vê, mas ele sempre está lá. Ele é o Rio e as sextas nos Arcos da Lapa, sábados em Copacabana e domingos em Botafogo. Ele é a segunda na Presidente Vargas, terças na Praça XV, quartas na Mem de Sá no saudoso Teatro Odisséia e nas quintas ele fica por aqui, olhando o tráfego de pessoas, a vida correndo, o sol queimando e esperando o fim do dia chegar, eu vou acompanhando, sempre de espectadora, você pode não vê-lo, mas eu vejo.

Urso Bipolar

Atrás de um óculos bifocal - Vendo o mundo bicolor
- - Um coração bidirecional - Como um avião bimotor
- - Começando a falhar

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

1203090127so

Eu preciso muito, muito de você. Eu quero muito, muito você aqui de vez em quando nem que seja, muito de vez em quando. Você nem precisa trazer maçãs, nem perguntar se estou melhor. Você não precisa trazer nada, só você mesmo. Você nem precisa dizer alguma coisa no telefone. Basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio. Juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito, muito de você.