quarta-feira, 15 de julho de 2009

July

Um dia me disseram que ao final de julho toda magia se perde. Seus olhos já não são tão grandes e sua boca já não é tão quente.

Os dias frios são mais frios que a neve, mas é mentira.

Eu gosto mesmo de julho porque meu corpo arde e eu posso delirar você.

O que você faz fala tão alto que não consigo ouvir o que diz.

sábado, 4 de julho de 2009

Meio a Meio

Eu não entendi nada, não sei de nada e não ouvi nada.

Não mudei nada, não tentei nada, nem pedi nada.

Não deixei nada, não roubei nada, nem menti.

Fiz a coisa toda pelas avessas como é de costume meu; mudar assim sem pedir licença.

Tava parada e enguicei, chamei o reboque e depois do conserto, algumas peças foram pro lixo. Não sei bem se era lixo, mas estavam desgastadas o bastante pra ir pro lixo. Se me oferecessem um saco maior eu ia junto com as peças pra lá, verdade seja dita, já estou bem desgastada também.

Perdi anel, cigarros e dinheiro.

Pedi ajuda, paciência e algum gelo.

Paguei as contas, os pecados, paguei pra ver.

Fiz a coisa toda do seu jeito e deu tudo mais errado do que de costume. Tenho trabalhos pra entregar, mas estou desempregada, desapegada e confusa. Muito menos confusa do que todo o resto.

Tirei D, tirei sarro e um empréstimo.

Tratei mal, muito mal e mais ou menos.

Mas eu sorri também, muitas vezes hoje.

Hoje foi melhor, bem melhor do que eu imaginava que seria. Foi o bastante pra me convencer do contrário. Eu acredito no contrário agora, acredito que ele possa ser melhor do que o esperado. É melhor.

Quero lançar moda, um disco e um filme.

Vários filmes.

Quero escrever, descrever e dançar com as palavras.

Quero beijos, abraços e palavras doces, sempre muito doces.

Eu quero ser gentil, amável e confiante.

Eu quero um pedaço do mundo, mas um pedaço grande!

Eu quero um, um não, eu quero muitos confetes. Gosto de confetes.

Quero ser o desenho, o retrato e aquela estrela.

Quero ser a estrada, o gramado e a aurora boreal.

Quero ser as estações, quero ser um trem e quero não passar.

Quero ser palhaço, malabarista e bailarina.

Quero ser a Dorothy, uma animação e o céu.

Quero ser a cor, o tom e a música certa.

Quero que chegue o dia e quero escrever meu primeiro roteiro de verdade.

Quero ser a personagem e quero ser a sonoplastia, quero ser o close e o macro.

Eu só quero ser por saber que posso tudo que quiser, então eu quero tudo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Querido Jimmy,

como andam as bandas por aí?

Aqui tocam quase todos os dias. Felizes.

Desde que você resolveu partir as coisas andam voltando pra cá, seu lugar de origem, uma a uma gradativamente e sem pressa. Melhor.

Todos mandaram notícias esses dias, mas nada que remetesse a ti ou alguma parte que deixastes em algum outro lugar ou em outra pessoa, senti falta. Senti.

Não me abala mais o faltar, sempre tem alguma coisa faltando mesmo, mas se mandasse um postal eu guardaria, como te guardo. Sem raiva, sem ressentimentos, sem medo.

Estou completamente recomposta, meu pedaços foram catados com ímãs, daqueles bem fortes, suficientemente fortes pra me pôr no eixo. No eixo “x” que é onde devo ficar. De pé, inteira. Completa.

Mando notícias minhas sem saber se as quer, mas mando por achar que ainda se preocupa e gostarias de saber da descoberta que fiz, do quão posso me defender do mundo sem ter que arriscar minha felicidade. Sem riscos! Não é perfeito querido Jimmy?

A muda de jasmim que plantou começa a florescer em alguns dias, ela está tão bonita, teria gosto em vê-la tão firme, diferente de como a deixou. Cuidei com carinho. Amor.

Guardei o lenço que esquecestes em cima do velho piano. Não por ser teu, mas é que tinha um cheiro bom de erva-doce. Ainda tem.

As crianças andam sentindo falta tua, acho que por demais, não há um dia em que não me lembrem que partiu, mas são todas tão carinhosas que ontem eu reparti um bolo de erva-doce pra todos, pra ver se esqueciam da partida mais dolorosa. Esqueceram; fiquei toda prosa.

Proseei com tua mãe dia desses, ela estava tão triste quanto uma mãe pode ficar quando um filho vai em busca de seus sonhos, mas confiante em você, como todos. Se fosses meu filho te prenderia a correntes de vinte milímetros para que não tivesses alternativa. Se fosses meu.

Tentei alguma proximidade com teus amigos, mas eles acham que faço pouco caso da tua ida, acham que não te dei opções muito viáveis e que tivestes razão em ir, mas eu te dei mais que opções, eu te dei uma razão que seria tão maior que qualquer galáxia. Eu te dei mais do que todos acham, era algo só meu, por sorte não foi por inteiro contigo. Então, eu só quero ver você ter o que quiser desse mundo, cada pedaço desse mundo que parece nunca se partir. Fico feliz se conseguir, e ficarei mais feliz ainda se voltasses pra dizer que conseguiu. Pra mostrar a todos, com sorriso no rosto, seu mais novo troféu. Só seu.

Estou me prolongando em cartas, conversas, devaneios e olhares vazios, mas eu tenho tanto pra revelar pro mundo que não ligo de me perder um pouco agora, ainda mais agora que estou completa, só me falta saber o que eu quero. Eu estou sabendo de tantas coisas ultimamente, são tantas coisas que sempre fizeram falta, só agora pude ver o tempo desperdiçado.

Então, espero que esteja bem, de coração, e espero que respondas, mas se não responder, tudo bem, eu entendo como uma mensagem positiva de que estás completo também.

Vou ficando por aqui com a carta, porque eu ainda preciso alcançar a minha completa felicidade, e ela não está nesse pedaço de papel. Ainda bem que ela não é só papel, só isso.

Um beijo doce e um abraço aquecedor de erva.

Judite.