sexta-feira, 12 de junho de 2009

Rue vide

Na rua vazia é onde ela começa e termina

Pelas pedras perdidas é por onde se guia

Ela é um pássaro

Um pequeno passarinho

Azul

“-Então, talvez você queira seguir por aqui.”

“-Pra que escolher?”

“-Pensei que tivesse preferências...”

“-Não, a não ser que você fique.”

“-Sem chance.”

“-Então eu apenas vou.”

Ela se entrega a longas horas

Por via das dúvidas entrega-se também ao que há de vir

Entrega-se ao que lhe pertence e ao que nunca lhe pertencerá

Entrega-se aos que esperam e aos que hão de esperar

“-Se eu resolver ficar?”

“-Então fique.”

“-Mas com que finalidade?”

“-Não me pergunte do final agora, estamos no início.”

Ela frequenta casas de pessoas mortas

E está se perdendo em bordados sem vida

O que ela está esperando?

Do que ela fala quando me olha nos olhos?

“-Se eu disser alguma coisa você pode...”

“-Quer que eu responda certo?”

“-Certo.”

“-Não tenho respostas prontas, quer dizer, você quer respostas prontas?”

“-Eu só espero por respostas.”

Coloca as mãos inquietas sobre a mesa, mesa inquieta agora também

Todos têm suas próprias razões, ela vende as dela

Sem juízo, juízo a condena, prisão perpétua em mim

Ela sai por detrás das flores num novo desabrochar

Nasce e renasce entre tulipas e rosas com cheiro de alecrim

Aproveite a estação querida, enquanto seus cachos têm sabor de uva

Hoje eu a levarei pra casa, cem gotas de chuva

“-Me parece o certo.”

“-Não me parece nada, onde está o colorido?”

“-São só lápis de cor e papéis amassados!”

“-São cores e coloridos, aprende a falar errado!”

“-Mas porquê?”

“-Porque o certo nem sempre é o que a gente procura...”

“-Se eu achar cores e coloridos eu ganho algo?”

“-Te dou um arco-íris, o meu arco-íris.”

Sete é pouco, ela quer mais

Se o dobro é pouco, dobra mais

Já fizeram promessas demais

Estava cansada de ser a menina que espera

Espera vazia numa rua onde ela começa e termina

Sozinha

Um comentário:

• YuЯi KiddO • disse...

Que ótimo, parabéns!

Eu grifei algumas passagens, quando vi tinha grifado muitas.

"'-Pra que escolher?'"