segunda-feira, 22 de junho de 2009

Canções de Rei - Max Viana

Se eu fosse algum rei, fosse o teu senhor ____________ Eu proclamava à tua boca um reinado meu ____________ O teu corpo nu, o meu santuário ____________ Se eu fosse algum rei, teu imperador ____________ Eu ordenava teu coração a gostar do meu ____________ Cada dia teu, meu calendário ____________ Inventava canções de rei, conquistava o seu amor ____________ Desobedeceria a lei, revelava quem eu sou ____________ Te mostrava que só eu sei onde tudo começou ____________ Inventando canções de rei pra enfeitar o nosso amor ____________ Se eu fosse algum rei, fosse algum rei ____________ Eu proclamava à tua boca um reinado meu ____________ O teu corpo nu, o meu santuário ____________ Se eu fosse algum rei, teu imperador ____________ Eu ordenava, teu coração a gostar do meu ____________ Cada dia teu, meu calendário ____________ Inventava canções de rei, conquistava o seu amor ____________ Desobedeceria a lei, revelava quem eu sou ____________ Te mostrava que só eu sei onde tudo começou ____________ Inventando canções de rei pra enfeitar o nosso amor

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Só isso

- É sempre bom pra você se divertir com a minha cara!

- É sempre bom pra todo mundo, afinal, só você faz o que faz.

- O que eu faço?

- Essas coisas que só você faz, essas coisas erradas e engraçadas...

- Nem faço por mal.

- Se fosse por mal não seria tão engraçado, isso é o legal em você!

- Sou tua piada diária né? Só sou legal por isso!

- Não, nem é só por isso.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Imagine

Por um dia não usarei nem de prosa nem de verso, não escreverei contos, nem mentiras teatrais ou falas aleatórias de conversas inexistentes.

É que uma vez eu vesti um personagem e gostei, até me cansar dele. Vesti muitos personagens até estar aqui como estou. Não, não sou assim. Ainda sou alguém que não conheço, mas não necessariamente um personagem.

Eu estou aqui e por mais que não possas me ver, existo.

Estou por mim e por alguém, alguém de quem não digo nome, alguém bem conhecido.

Não digo nome, porque nomes idealizam personagens e não quero que ele seja mais um personagem dessas falácias desastrosas que escrevo.

Descanso meus olhos sobre folhas de papel cheias de linhas e rabiscos tortos, que hoje com sorriso no rosto leio, escrita tua, em letra de forma, com forma única.

Forma que se manifesta em tudo, principalmente em mim.

É que depois que você apareceu, tenho tanto pra dizer-te, tenho tanto o que agradecer, tanto pra aproveitar disso... Me abres leques de mudanças e nas mudanças oportunidades de mudar mais. Nunca abriu o coração por que então?

Sempre preferi sem jogos, mas se é pra jogar que não roube. Não me roube a oportunidade de te saber mais.

Sei de tuas preferências e de seus desgostos, sei das tuas coleções e dos teus amigos, sei dos teus amores, sei que são difíceis, e por graça divina faço parte deles. Sei dos teus modos e conheço tuas gírias e sei que nessa vida, tu nasceste só pra ganhar. Aqui estou.

Sei que não sei nem metade, por isso as oportunidades contigo são tão únicas.

Estou aqui pelas partes faltosas do quebra-cabeça, pela tua presença e pela saudade que paira no ar.

Estou pelas palavras rudes, pelas palavras doces e pelo que ainda há de falar. Pode parecer um estar tão vazio, mesmo vazio tão volúvel, e mesmo assim é na verdade tão cheio de ti, que já não sei mais se sou eu e ponto ou se somos nós e vírgula.

Ensina-me a pontuar melhor, minhas palavras ainda tocam seu rosto sereno e fazem carícias nos seus cabelos.

Ensina-me a falar melhor, sei que minha dicção deixa a desejar, mas é em teu coração que desejo chegar.

Então ensina-me a ser melhor, porque desde que me abriste um sorriso, aprendi a sonhar.

Aprendi mesmo.

domingo, 14 de junho de 2009

Só hoje

Hoje, só hoje eu resolvi que vou esperar você voltar

Então só hoje, não demore

Eu me desmenti hoje, mais uma vez

Mais de uma vez

Por você eu faria mil vezes

Que plágio inútil

Acontece que foi passear

Me diga onde que vou buscar

Sua alma, sua alma

De volta ao lar

Coração

Anda partindo ao meio

Como se conseguisse partir tantas vezes sem estar inteiro

Partirei de vez

Mas é pra encontrar

A cidade onde eu perdi minha última lágrima de diamante

O diamante estampado na blusa

O menino estampando um leve sorriso

Eu não sabia que você sorria

Já vi

Mas não foi pra mim

A lágrima rolando na face

É sempre de mim que nasce

O que te faz sentir mais forte

O encontro de dois

Não

Um e meio

Sempre pela metade

Sempre a parte que deveria partir

É o tal do

Ir-remediável

Acho que não tem remédio

Acho que é hora de ir

Porque hoje, só por hoje eu resolvi te esperar voltar

E você voltou

Mas não foi pra mim

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Rue vide

Na rua vazia é onde ela começa e termina

Pelas pedras perdidas é por onde se guia

Ela é um pássaro

Um pequeno passarinho

Azul

“-Então, talvez você queira seguir por aqui.”

“-Pra que escolher?”

“-Pensei que tivesse preferências...”

“-Não, a não ser que você fique.”

“-Sem chance.”

“-Então eu apenas vou.”

Ela se entrega a longas horas

Por via das dúvidas entrega-se também ao que há de vir

Entrega-se ao que lhe pertence e ao que nunca lhe pertencerá

Entrega-se aos que esperam e aos que hão de esperar

“-Se eu resolver ficar?”

“-Então fique.”

“-Mas com que finalidade?”

“-Não me pergunte do final agora, estamos no início.”

Ela frequenta casas de pessoas mortas

E está se perdendo em bordados sem vida

O que ela está esperando?

Do que ela fala quando me olha nos olhos?

“-Se eu disser alguma coisa você pode...”

“-Quer que eu responda certo?”

“-Certo.”

“-Não tenho respostas prontas, quer dizer, você quer respostas prontas?”

“-Eu só espero por respostas.”

Coloca as mãos inquietas sobre a mesa, mesa inquieta agora também

Todos têm suas próprias razões, ela vende as dela

Sem juízo, juízo a condena, prisão perpétua em mim

Ela sai por detrás das flores num novo desabrochar

Nasce e renasce entre tulipas e rosas com cheiro de alecrim

Aproveite a estação querida, enquanto seus cachos têm sabor de uva

Hoje eu a levarei pra casa, cem gotas de chuva

“-Me parece o certo.”

“-Não me parece nada, onde está o colorido?”

“-São só lápis de cor e papéis amassados!”

“-São cores e coloridos, aprende a falar errado!”

“-Mas porquê?”

“-Porque o certo nem sempre é o que a gente procura...”

“-Se eu achar cores e coloridos eu ganho algo?”

“-Te dou um arco-íris, o meu arco-íris.”

Sete é pouco, ela quer mais

Se o dobro é pouco, dobra mais

Já fizeram promessas demais

Estava cansada de ser a menina que espera

Espera vazia numa rua onde ela começa e termina

Sozinha

One Day

Hoje é um daqueles dias em que tudo foi pro saco.

Eu fui pro saco em partes. Despedaçada.

Hoje é o tipo de dia em que os sentimentos invadem em conjunto só pra confundir.

Hoje é um dia em que eu não preciso que ninguém me ouça para que eu possa me confessar.

Confesso que de início foi só nervosismo, depois insegurança, em seguida foi tanta auto-confiança e felicidade que eu inflei.

Os olhares me intimidaram daí por diante eu já não sei, foi tanta coisa junta, só o ciúme se fazia constante, o porque eu nem sei.

Confesso que me enchi de ciúme e murchei.

Se pudesse não sentir preferiria, já não sei se o não saber sustenta por muito tempo esse teto de vidro.

Lindo teto de vidro. Mosaico. Vitral.

Estremeci, fiquei quieta, depois inquieta, por fim calei.

Sussurrei qualquer coisa mentalmente, pra que não houvesse perigo, pra me controlar.

Pensei que era pra fazer durar, acho que errei, então chegou a frustração e o dia foi pro saco.

Errei, tudo bem, dessa vez não variei em nada.

Culpa minha, esses dias estou um pouco sem graça, sem brilho, sem tudo, sem nada.

Já não sei se é só ciúme então, nem se está fundamentado. Meu subconsciente está esgotado, acho que as respostas vão demorar a chegar.

Rebobine, por favor!

Procure por isso, procure saber.

Eu estarei lá e você?

Oh! Clichê demais isso de fazer parte de um cenário, mas no filme dele nem me importo de não ser a atriz principal. Só desejo escrever o roteiro perfeito, onde ninguém se perde no início e onde não haja final.

Rebobine, por favor!

O resto pode esperar. Todos os restos, eu vou juntar, mas depois do principal.

OLCIC

Me liga que eu te ligo de volta.

Vamos fazer direito o ciclo dessa vez.

Está claro que alguma coisa mudou, me mostra o que permaneceu.

"-Seja paciente!"

"-Tem vezes que paciência acaba!"

"-Eu nem ligo."

"-Só tô com pressa pra ser feliz."

"-Estou tentando, estou tentando..."

"-Se reticências dessa vez ok?"

"-Ok."

sábado, 6 de junho de 2009

Tinta Solidão

Entrou pela porta, passou pela sala e automaticamente tentou ascender a luz do corredor como sempre, mas a luz havia queimado.

Não lhe importava muito, não havia mais o que ver ou apreciar, ela já não estava mais no recinto, no seu lar, seu reino.

“-Um dia todo mundo tem que partir, você também, você também...” – Balbuciou, como se fosse segredo.

Ele estava nitidamente abatido e com o dedo cortado, pela falta de intimidade com cozinha, decidiu nunca mais mexer em nada visivelmente afiado daquela parte da casa.

Pegou uma taça e o vinho que ela levou da última vez em que esteve lá, onde ele, agora, se encontrava sozinho. Pegou outra taça, encheu as duas e brindou com a solidão.

“-Ela não vem mais, nunca mais e agora estamos a sós novamente, bem vinda Solidão! Teu nome é bonito, começa com “Sol”, mas de cor e tom não me traz nada".

Tomou todo o conteúdo da sua taça e deixou sua companheira confortável para que demorasse o quanto quisesse por ali, apreciando o tal vinho, que na boca de outra já teve gosto mais doce.

Talvez precisasse que a solidão lhe ensinasse que o “nós” pode ser muito melhor do que o “eu” descontrolado, vagabundeando pelos lados, mas sem lado nenhum escolher.

Nós, eu, sempre teve dificuldade em separar uma parte pro todo, era tão acostumado com a individualidade que ser de mais alguém além de si mesmo lhe trazia sensação de fobia ou qualquer coisa que o valha. Não se trata de egocentrismo, é só desacostume.

A falta que ela fazia até o momento em que ele pegou no sono seria preenchida logo, pelo trabalho e por outras Solidões acompanhadas de vinho tinto e seco do porto mais próximo.

Mas enquanto achava que para dois não era preciso usar de plurais ou coletivos, mal sabia ele que durante muito tempo estaria atado em nós.

Daqueles que prendem bem forte.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Lá.

Não se procure em mim, acha-te e estarei lá.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Quase sempre nunca

-Que importância você dá as pessoas? Você quer e não quer nada! Você nunca sabe o que quer!

-Eu sei o que eu não quero e isso me basta.

-Então você não quer isso? TUDO ISSO? Eu posso te dar tudo isso!

-Eu não quero assim.

-Só saber o que você não quer é pouco pra mim.

-Eu nunca precisei de muito.

-Mas eu sempre precisei de tudo, e você não é a mesma!

-Ninguém é.

-Mas antes era tão diferente, hoje você não é nem metade do que já foi.

-Hoje eu sou tão mais do que antes, que me transbordo a todo momento e você nem vê.