domingo, 31 de maio de 2009

Muito obrigada.

"...Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que eu não sei usar amor: às vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha. Venha antes que seja tarde demais."

- Lispector, Clarice

- "Deus"(1968) in A descoberta do mundo (1984)

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É a minha forma de agradecer as mais de 2000 visitas, mais até porque o contador só começou a rodar depois de mais de meia vida de blog.

Só digo que hoje, embora tenha amor dentro de mim, continuo inquieta, porém feliz. Deus veio com diversas formas e jeitos até mim, até que eu pude ver que nunca é tarde demais.

Então, mesmo que essas 2000 visitas tenham sido repetidas, foram as repetições mais valiosas que eu já tive até o momento.

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"Eu tenho a vida inteira pra me arrepender..."

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Mas não vou.

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Um beijo grande pra quem passou, passa e passará por aqui.

Quantos estão no caminho?

Quantos caminharão por ele?

Au Revoir espera você passar.

Aquarelável

-Você mudou, tá tão bonita, um colorido diferente...

-O sol desses dias tem dado um colorido diferente a tudo.

-O sol anda se escondendo quando você passa...

-Talvez ele não queira me colorir.

-Talvez ele saiba que só se entra numa competição quando se tem chances de ganhar.

-Quase um eclipse de aquarelas!

-Se você pudesse pintar algo, o que pintaria?

-A vida! E você?

-O amor, mas no meu caso, ele já está bem colorido.

sábado, 30 de maio de 2009

Quando a gente não mais soube ganhar

-Não precisa disso, sabe a culpa não foi de ninguém.

-Quando foi que isso aconteceu?

-Como assim?

-Em que parte do caminho a gente tomou rumos diferentes?

-Se soubéssemos com certeza não tomaríamos aquele rumo.

-É difícil aceitar isso.

-Acho que o melhor que posso fazer é concordar.

-Você acha que erramos muito?

-O bastante.

-Pra fazer acabar?

-Pra fazer ser uma importante aprendizagem.

-Então, quem vai embora primeiro?

-Acho que não precisamos ir agora.

-Foi no acho que a gente se perdeu.

-Mas eu te achei e foi a melhor parte.

-E depois achou outras várias partes que complementavam a parte maior, não achando tudo, você perdeu e eu perdi junto, só que bem mais feio. Perdi pra mim, me perdi de você...

-Me perdendo você se encontrou?

-Ainda não sei, mas espero que pelo menos algo muito bom eu tenha encontrado, tão bom quanto o que eu perdi.

-Tudo que tem que fazer é não se antecipar.

-Eu apenas não sei por onde começar quando todo mundo é você.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Nouvelle Vague

Você consegue imaginar, nenhum amor, orgulho, pizza e
alguém sempre te defendendo (mesmo quando eu sei que
você estava errado)?
Você pode imaginar nada de primeira dança, romance
seco congelado, conversa de 5 horas debaixo da velha
ponte, o melhor café sem cafeína que já tomou e... eu?
Você imaginaria todas aquelas palavras ditas por medo,
por dúvida, por impulsividade, por mim?
Um aquecimento global como você poderia derreter todo
as calotas do meu coração?
Pediram para que eu imaginasse como seria me dar
uma chance.
A verdade foi lançada para mim, eu guardei todas as
minhas chances para quando fosse preciso, agora preciso
delas. Preciso viver. Preciso.
Quatro opiniões vistas de ângulos diferentes, todas
direcionando para o mesmo lugar. 
“-Você perde um e ganha seis.” 
“-Seis?”
“-Sim, seremos nós quatro, tu vai voltar pra si mesma e
ainda pode ser acompanhada.”
“-Não me iluda. Sabe, já é o bastante voltar pra mim
mesma.”
“-Ainda te vejo acompanhada.”
Eu imaginei tudo? Sei lá, o dia bateu de novo.
Os dias parecem que fazem acordo pra me acordar para
algo novo. 
“-De novo?”
“-O Novo!”
“-Mas é o mesmo!”
“-Deixa eu te mostrar que é novo.”
“-Mas eu estou vendo, eu já conheço.”
“-Se você deixasse, eu te mostraria que é novo, veria
que não conhece.”
“-Tudo novo?”
“-Tudo.”
Não foram só opiniões, foi amor.
É que agora eu posso começar a enxergar um novo tipo
de amor.
“-Começa amanhã?”
“-Não, hoje!”
“-E pra que essa pressa?”
“-É que se tem que mudar, que mude logo, não me dê
tempo de adiar.”
“-Então eu faço parte disso?”
“-É, faz sim.”
“-E eu só soube agora por qual motivo?”
“-Eu demorei pra ver que nunca é tarde demais.”
Hoje foi um daqueles dias em que grampeei todas
as minhas vontades.
Os grampos acabaram, agora eu vou desgrampear todas
as vontades e dizeres. E você. Agora eu vou tentar
o novo, que talvez eu já conheça, que talvez
eu goste de reconhecer.

domingo, 17 de maio de 2009

People never understand

-E então, você contou pra alguém sobre nós?
-E o que eu teria pra contar sobre nós?
-Eu não sei, você segurou a minha mão e foi por
vontade, não foi?
-Não sei, quer dizer, não lembro, acho que
segurei algumas mãos e algumas mãos seguraram as
minhas, como vou saber ao certo quais mãos segurei?
-É que eu achei que... Ah que bobagem, é verdade,
tinha muita gente lá e é incrível como você
conhecia todo mundo!
-E você foi embora cedo demais, mas o que você achou?

-Estou sempre deixando as pessoas. Desculpe.

-Tudo bem, mas o que você achou da festa?
-Eu achei que seria mais fácil ter ficado com as mãos
nos bolsos.

sábado, 16 de maio de 2009

There's reasons why it's hard

Hoje, exatamente, fez um ano e dois meses do último “eu te amo” que recebi de ti.

Não faço questão de contar o tempo que passou, mas calhou de ser hoje.

Vou contar um segredo e que fique restrito, a mim e a você.

Não é sempre que eu gosto de você.

Desculpe.

Não leve pro lado ruim, mas é que nem sempre você consegue ser da forma que eu guardei.

É como se eu tivesse me empenhado em construir um grande quebra-cabeça num dia para que no outro ele tivesse se desfeito sozinho.

Talvez seja errado gostar como eu gosto, porque só é o bastante quando é do meu jeito, mas é muito melhor também.

Não é o melhor dos amores, mas ainda é amor, ainda é...

Então eu não desisti, por isso resolvi te dizer que, ainda há uma chance para nós, só que eu tenho que mudar dessa vez e há muitas razões pra ser tão difícil, mas eu acho que se formos fortes...

Disseram-me para eu libertar as reticência ou um dia elas me deixarão só, sozinha.

Quando eu resolvi fechar todas as janelas que davam pra
você, deixei a porta aberta pra caso precisasse de
socorro ou de te socorrer.
Não foi a melhor das saídas, mas ainda estou na fase de
reticências infinitas.

Tentaremos não depender de outras pessoas.
Nos bastaremos.
 
Mas primeiro você deve contar as gotas de Saturno em
meus cabelos até que eu consiga por todos os anéis
em seus dedos.
 
Então quando chegar o outono nós floresceremos.
 
Terá completado três anos, não saberemos de que
exatamente, mas haverá algo pra comemorar.
 
Nós sentaremos e conversaremos por longas horas e
você dirá que sentiu minha falta enquanto esteve na
busca por si mesmo lá fora e eu sorrirei.
 
E depois de tantos primeiros passos, depois de tanta
estrada batida e rebatida, depois de erros e
desencontros, depois de você se reencontrar, talvez eu
possa ouvir aquele –eu te amo- que se perdeu antes
da jornada começar.
 
Um dia fará sentido.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Pra Ela

Roza, com “z” para que pudesse ser diferenciada da flor.

Roza sem vermelho berrante, mas com rosa na cor.

Morena-rosa.

Pequena, serena, serelepe e peralta, é gene, é DNA, é qualquer coisa, mas é bem bom.

Assim, bem e bom, porque é um bem pra nós e é bom pra ela.

Quando se tem motivos pra amar ama-se mais, quando não se tem, ama-se também.

É que eu tenho motivos e ela também, mas quando o amor vem porque quer é que a gente quer bem mais o nosso bem.

Meu bem.

Bem de preciosidade.

Bem de herança.

Não é caro, não se vende, nem eu vendo.

Não troco.

Não mesmo.

Meu bem.

É sim, meu, minha, cada parte, toda parte, o todo.

É que por completo é bem compacto, mas assume um lugar gigante.

É três em uma, quatro e cinco também.

É tão bonita.

Bonita assim me faz um bem...

É tão tranquila, tranquilidade assim ninguém tem.

É tão minha.

Minha cara.

Tão menor que parece que eu pari.

É tão querida.

Tão amada.

Tão viva.

Toda vida.

Depois de uma espera bem-vinda

Foi dela;

Com ela;

Por ela que nasci.

domingo, 10 de maio de 2009

Rima de amor

Da Rosa

Cor

Nome

Cheiro

Amor

Do ser

O jeito

O peito

Aberto em flor

Do estar

Aqui

Ali

Em todo lugar

Da natureza

Beijo

Anseios

Medos

E seja como for

Do sonho

Crença

Carne

Criança

Protegida da dor

Do antes, dúvidas

Do futuro, dádivas

Do agora

Eu

Você

E mais amor

domingo, 3 de maio de 2009

OUT!

Então, aos vinte e três anos, pulou do alto daqueles treze andares.

Pulou, não para alcançar o céu, mas para que pela primeira vez seus pés alcançassem o chão e que isso não se repetisse.