sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

I see you

Devia ser março, pelo calor que fazia devia sim ser uma tarde de Peixes. De noitinha poderia jurar que era julho, mas com aquele suor que não conseguia conter apostaria qualquer coisa que era março e rezaria baixinho para que acabasse logo. Não tinha nada contra o mês, só as tardes de miragem o inquietavam.

Andava pelas ruas da capital do Rio, nessas mesmas tardes onde peixes deviam sofrer com a baixa dos mares. Conheceu Stª. Tereza e pegou carona em seus bondes amarelos, pela Cinelândia todo um mundo de filmes que guardava na mente. Passando pelo Cristo viu seus braços abertos sobre uma Guanabara diferente. Pela Lapa viu sua roda de samba modificada e seus choros menos chorosos que de costume. Esteve na Primeiro de Março visitando o Centro Cultural que mais gostava. Visitou seu antigo Jardim Suspenso, que apesar de hoje ser a Escadaria de Selarón, pra ele ainda é um Jardim, só que agora de azulejos. Ouviu seu jazz de sempre no Café Cultural. Também esteve na Barra, em Copacabana e a procura de uma garota em Ipanema.

Esteve em todos os lugares em que quis estar, pra relembrar todas as coisas que agora estavam mudadas e lhe traziam sensação se nostalgia. Capaz ainda de lembrar das conversas ao pé do ouvido, da malandragem antiga, da bossa cheia de verso no Beco da Garrafa, onde Vinícius costumava ir. E aquela prosa de boemia, que varava a noite e varria o dia. Era tudo solidão agora, pensamentos vagos, no centro do Rio, sem vagas, ao meio-dia.

Ninguém o sabe parado, velho, influenciado pelas lembranças do resto desse sol de março, mas ele continua lá, você não o vê, mas ele sempre está lá. Ele é o Rio e as sextas nos Arcos da Lapa, sábados em Copacabana e domingos em Botafogo. Ele é a segunda na Presidente Vargas, terças na Praça XV, quartas na Mem de Sá no saudoso Teatro Odisséia e nas quintas ele fica por aqui, olhando o tráfego de pessoas, a vida correndo, o sol queimando e esperando o fim do dia chegar, eu vou acompanhando, sempre de espectadora, você pode não vê-lo, mas eu vejo.

Urso Bipolar

Atrás de um óculos bifocal - Vendo o mundo bicolor
- - Um coração bidirecional - Como um avião bimotor
- - Começando a falhar

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

1203090127so

Eu preciso muito, muito de você. Eu quero muito, muito você aqui de vez em quando nem que seja, muito de vez em quando. Você nem precisa trazer maçãs, nem perguntar se estou melhor. Você não precisa trazer nada, só você mesmo. Você nem precisa dizer alguma coisa no telefone. Basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio. Juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito, muito de você.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

E-TERNAMENTE

Sei que fiz escândalo amor, mas entende vai, ela era tão bonita, você nunca diz que eu sou bonita, nunca me olha assim, tão encantado, não mais. Sei que foi vexame, que você ficou irritado e envergonhado, sei também que bebi um pouco a mais e tu não precisa ficar lembrando tudo que eu fiz, eu sei o que eu fiz de errado. Então agora tudo virou culpa minha? Tudo que você não demonstra virou loucura na minha mente, você tá dizendo isso mesmo? Vai lá, volta pra festa, finge sorrisos, pega a loira gostosa e vai até o fim. Não, não repete isso que eu não quero ouvir, todo seu amor é de mentira, que amor que nada, me trata como você trata ela, não me dá só carinho por encomenda, me dá um tapa, me beija a boca, me dá prazer. Eu sei, daqui a pouco vai dizer que você vê sua mãe em mim! Me poupa disso, eu só quero sentir que nada faz sentido, então me toma pelo menos quando te peço, pedir é pouco? Eu to aqui não é? Então trata de ser rápido, porque a loira vai sentir a tua falta logo, e eu vou ser bêbada o bastante pra não ver você e ela num canto. Não fica com medo que hoje não tem pranto, é tudo amor, ta saindo feito perfume do meu corpo, vem logo. Tudo que eu estava fazendo e sendo, não queria que você visse, mas agora eu me mostro pra você e nada? Que coisa, é por que não tem loiro nos meus cabelos? Então são os olhos, sem lentes não merecem outros olhos? Shh, não precisa mais falar, me deixa sozinha, vai ser sarcástico lá fora, me deixa, vai embora, some que eu não vou te procurar. Cala a boca, sai daqui! Eu quero mais é que ela te arranque até os olhos pra pôr como brincos. Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo. Se alguma vez chorei? Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora. Já esperei demais, não vou esperar a vida inteira. Era pra responder 'quero ficar só contigo', te expliquei a regra tantas vezes... Por que você? Quer a resposta do início ou de agora? Porque você não é só 'bom-o-suficiente', você é mais. Essa sempre vai ser a resposta. Então acabou? Me leva pra casa? Ainda é a nossa casa. Ainda somos nós.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Rien de Personnel

Ah, Parei!

Parei com as carreirinhas ocasionais, cigarros, bebidas, remédios e aforismos

Parei com Joy Division, Radiohead, Cat Power e pseudo-suicidas.

Cansei de música indie, filme trash e gente alternativa.

Parei com o cálculo estequiométrico, metafísica, sofismo e vanguarda.

Parei de ler horóscopo e tudo que me dê esperança, ela vai morrer.

É fome, sede e procura desesperada.

Alguém me dê uma porrada na cabeça e me deixe em coma por pelo menos dez anos?!

Eu volto melhor, prometo, volto mais sã, sadia, esse mundo está me matando.

Estamos morrendo rápido demais não acha?

É chá de fita, ervinha, pedra e muito álcool.

Se não ficar em coma eu vou em menos de um ano.

Vou embora daqui, feliz da vida e com uma leveza daquelas na mente.

Volto não hein, sinta falta, você merece sentir, te deixo.

Venha não, que esse meu caminho é tão curto quanto um suspiro.

Deixe eu respirar.

A última carreirinha do dia.

Porque eu parei.

sábado, 17 de outubro de 2009

Alegoria da Caverna

Ele estava cansado de tudo aquilo, discutiu com você e foi embora.

Foi assim, ligeiro.

Quando parou pra observar, não estava mais.

Não estava onde tinha deixado e nem em um lugar onde pudesse ser buscado.

E por que diabos isso te parece tão injusto?

Depois de um tempo tu chega tão no fundo que nem o Diabo pode te trazer pra superfície.

Se fragmenta, se distribui, em troca de nada e por fim isso deveria doer, mas você já não aguenta mais.

Corre do escuro, mas é como se só caísse.

Você é um perigo ambulante, fuja!

Seus pés parecem que correm sozinhos, suas pernas são tão fracas quanto a sua mente.

Chega de chorar menininha, seus pés já não sentem mais os vidros no chão, você transcendeu e isso deveria doer, mas não há o que sentir.

Hey, você ainda respira?

Seu corpo parece chumbo menininha.

Por que não abre os olhos pra ver a luz do dia?

Pode ser que depois de tanto tempo no escuro você pense que doa, mas não dói.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Venir Avec Moi?

É tanto espaço em tão pouco tempo

Às vezes cedia e quebrava todas suas promessas pessoais

Ficava perambulando pelos achados e perdidos da mente

Um beijo rápido e estranho

“-Você vai me acompanhar?”

O interesse alheio é sempre mais forte que o seu

Tão tímido que chega a intimidar

Fiquei olhando feito santa

“-São quase 3 da manhã, então vai me acompanhar?”

Eu não ouvia nenhum tic tac irritante

Chutei a hora pra calar o silêncio

De repente veio na cabeça o não querer

Ele não quer, segue teu caminho

Você sempre segue

Suspirei baixinho, era pra não parecer suspiro.

“-Tudo que você tem é que dizer não. Eu não entendo, mas aceito”.

“-Você vai ficar bem?”.

“-Sempre”.

“-Eu vou estar do outro lado da linha amanhã”.

“-Sempre do outro lado”.

É tanto espaço em tão pouco tempo

Então vem o dia e é reconfortante desligar o telefone

Pra variar, saí antes que me machucasse de verdade

Vamos apenas não falar sobre isso

São os nossos segredos, não os conte

Vamos apenas esquecer tudo

Então não se arrependa dos nãos, eles só te fecharam o meu caminho

Se não pode pedir por mais, então peça por nada

Você nunca vai ter tudo o que pediu

E eu só estou deitada aqui esperando adormecer

Tentando esquecer tudo

Esperando adormecer

Esquecer tudo

Adormecer

Tudo

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

2809009

-Hey, tem uma coisa que eu quero saber faz tempo...

-O que?

-Você fala de mim pros seus amigos?

-Não.

-Mas eles não perguntam?

-Sim, mas... Tu lembra daquela menina de quem falei outro dia?

-A que muda o cabelo toda semana?

-Essa, eu falei dela pros meus amigos e agora ela tem que dividir a atenção entre eles e eu e o salão de beleza. Toda vez que ela vai mudar o cabelo eu me pego pensando, “tomara que ela volte mais bonita”, “Se ela fizer merda naquele cabelo, fodeu!”.

-Quer dizer que ela é importante.

-Me ocupa a mente. Mas quando é você que vai viver sua vida eu penso “tomara que ela volte”, não importa como, eu só quero que uma hora você esteja aqui de novo.

-Isso quer dizer...

-Isso quer dizer que eu não consigo dividir você, então eu te guardo longe dos que podem roubar tua atenção de mim.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

190709

-Eu vou pra outra cidade mês que vem, decidi te dizer com antecedência pra não parecer clichê demais aquilo de última hora...

-Às vezes a gente tem que arriscar, certo?

-É, eu arrisquei te dar tempo pra arriscar.

sábado, 12 de setembro de 2009

Loving You

Já descansei tempo suficiente.

Saudade das tuas meias palavras, das palavras contadas, as palavras boas.

Sei que tem receio dessa minha bipolaridade, mas eu também tenho medo dessa suas tripla personalidade.

Eu fico sem jeito, mas quando olho em seus olhos, sei que não quer me causar nenhum dano.

É tão simples, é apenas o modo como você me manipula com seu charme.

E apesar dessa nossa mudança radical de lados, não há nada de errado em eu ainda amar você.

Eu nunca desisti de coisas boas.

No passado você agiria como se não ligasse, agora eu não sei mais, faz um tempo que a gente já não age, então fica difícil lembrar ou projetar ações na minha mente distante.

Estou vivendo em um tempo verbal desconhecido.

Se parecer que estou confusa, por favor, entenda, eu só preciso de um tempo pra me acostumar com você.

Acredito que nós dois tivemos a chance de acertar isso, e se o seu coração está nisso, eu tô dentro.

Mesmo depois do tempo que passou eu ainda amo você.

domingo, 30 de agosto de 2009

The Moon Dancer

Ela com os pés no chão, ele com a cabeça num espaço qualquer, Astronauta, Bailarina não dança na lua não.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Only one smile, hug or you

Dia quente, chato e inutilmente tranquilo, dia típico.

Dia cansado que se rasteja por horas que custam a passar.

Ninguém pra dizer o quanto você é importante e quanto faz falta.

Hoje é um dia ruim pra falar da falta que dá de tudo, por isso mesmo são sempre dias assim que ganham esse direito à melancolia interna da gente.

Queria saber mesmo dessa vida o que ela espera de mim, porque eu sempre tenho que dar o primeiro passo pra tudo? Eu não sou esse tipo de pessoa que faz esse tipo de coisa, eu sou aquela que apóia e faz com que aconteça e dê certo, mas eu não estou sob os flashes e holofotes, eu simplesmente estou lá e é o que importa não é?

Eu posso ganhar um sorriso, um abraço, uma saudade sua sem ter que pedir? Sem ter que dizer que eu sinto saudades também ou que eu já senti saudades o bastante? Que eu já esperei bastante? Que eu sou fraca o bastante pra dizer tudo isso, mas que eu sou forte o bastante pra não dizer boa parte disso pra você?

Eu senti a sua falta durante todos os dias em que esteve longe, inclusive agora, eu sinto falta do antes, do durante e depois eu lembro milhões de vezes as mesmas passagens, tentando buscar o seu toque.

Só hoje, fala pra mim o que se passa na sua mente, deixa eu tentar adivinhar qual é a cor de hoje que tu mais gosta, qual a música que está cantarolando antes de sair de casa, me mostra a estrela que mais brilha e me diz porque assistir a filmes tão chatos.

Me diz o porque daqueles dias todos de espera, se era pra estar aqui de novo, na estaca zero, no lado errado, na hora errada, tudo de novo, então sou eu e você e nossos constantes erros se repetindo a todo momento.

Me faz entrar numa aposta de felicidade e usa dois dados viciados, viciados em você, você ganha, sempre ganha.

Eu cansei de não saber de nada, qualquer um sabe mais de você do que eu e eu não quero essa calmaria de esperar você voltar por nada, da mesmice que é só sentar no banco da praça e olhar os gatos que se aconchegam pedindo um pouco de carinho feito eu.

Então quando for voltar novamente não precisa avisar, não faz diferença eu estar ou não, eu vou melhorar disso tudo, foi só um dia doído, foram só dias quentes em que as horas se arrastaram até que a chuva voltasse a cair.

Foram só dias terríveis sem ti, só isso.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Something

Tava na época de pensar em porques e respostas pra tudo o que não conseguia entender pelas simples explicações humanas de que tudo acontece com um propósito, o da evolução.

Ou qualquer coisa do tipo, até ontem não entendia que evolução é de dentro pra fora e que às vezes nem chega a sair.

Então você tem sempre que estar sozinho em uma sala lotada porque você cansou de se perguntar onde estão as respostas das coisas que ninguém entende. Eu sempre estou com você, observando, e essa não é uma resposta, nem uma pergunta, é só uma nota de rodapé dizendo que você pode cair quando quiser.

Eu posso te contar sobre as melhores pessoas que eu conheci e quais foram seus maiores erros, mas ser onisciente nem sempre é suficiente. Eu posso saber de tudo e me sentir tão incompleta quanto qualquer outro ser do universo. Porque quando não se têm respostas e não se têm perguntas, eu não sei o que esperar de mim.

Lá fora tá escuro, frio e todas as luzes que meus olhos podem ver são amarelas e artificiais.

Aqui dentro consegue ser tão escuro e frio quanto círculos polares ou invernos turqueses.

Desde o começo desse inverno não consigo me lembrar do último solstício de verão.

Você me disse lentamente -Não confunda meus amores com suas paixões semanais – Então eu gelei e permaneci assim.

São aquelas perguntas sem respostas que ninguém entende.

Eram nanquins, A3 , A4 e guardanapos espalhados, mas muito bem organizados na costumeira desorganização.

Foi quando me comparei ao papel que me vi orgânica e frágil.

Rabiscada e em decomposição.

domingo, 2 de agosto de 2009

Use Somebody

- Você sabe, eu poderia usar qualquer um pra me livrar de problemas.

-É.

-Alguém como você, eu podia usar também.

-Não adianta comigo.

-Não adianta mais, eu sei, mas eu podia usar qualquer um e eu não fiz.

-Isso acontece sempre?

-Isso o que?

-Se apaixonar pelas suas vítimas.

-Você foi um erro, só isso.

-Tá, vítima, erro, como queira.

-Não me apaixonei por você.

-Então me usa.

-Não adianta mais com você, não faz mais o efeito esperado.

-Desesperado você quer dizer, quer melhor efeito que esse? Me deixa lá no teu sofá e me leva pra passear às vezes que ta tudo bem pra mim.

-Eu não sou capaz de cuidar nem de mim, toma teu rumo e viva, porque o que me resta agora é desaparecer.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

July

Um dia me disseram que ao final de julho toda magia se perde. Seus olhos já não são tão grandes e sua boca já não é tão quente.

Os dias frios são mais frios que a neve, mas é mentira.

Eu gosto mesmo de julho porque meu corpo arde e eu posso delirar você.

O que você faz fala tão alto que não consigo ouvir o que diz.

sábado, 4 de julho de 2009

Meio a Meio

Eu não entendi nada, não sei de nada e não ouvi nada.

Não mudei nada, não tentei nada, nem pedi nada.

Não deixei nada, não roubei nada, nem menti.

Fiz a coisa toda pelas avessas como é de costume meu; mudar assim sem pedir licença.

Tava parada e enguicei, chamei o reboque e depois do conserto, algumas peças foram pro lixo. Não sei bem se era lixo, mas estavam desgastadas o bastante pra ir pro lixo. Se me oferecessem um saco maior eu ia junto com as peças pra lá, verdade seja dita, já estou bem desgastada também.

Perdi anel, cigarros e dinheiro.

Pedi ajuda, paciência e algum gelo.

Paguei as contas, os pecados, paguei pra ver.

Fiz a coisa toda do seu jeito e deu tudo mais errado do que de costume. Tenho trabalhos pra entregar, mas estou desempregada, desapegada e confusa. Muito menos confusa do que todo o resto.

Tirei D, tirei sarro e um empréstimo.

Tratei mal, muito mal e mais ou menos.

Mas eu sorri também, muitas vezes hoje.

Hoje foi melhor, bem melhor do que eu imaginava que seria. Foi o bastante pra me convencer do contrário. Eu acredito no contrário agora, acredito que ele possa ser melhor do que o esperado. É melhor.

Quero lançar moda, um disco e um filme.

Vários filmes.

Quero escrever, descrever e dançar com as palavras.

Quero beijos, abraços e palavras doces, sempre muito doces.

Eu quero ser gentil, amável e confiante.

Eu quero um pedaço do mundo, mas um pedaço grande!

Eu quero um, um não, eu quero muitos confetes. Gosto de confetes.

Quero ser o desenho, o retrato e aquela estrela.

Quero ser a estrada, o gramado e a aurora boreal.

Quero ser as estações, quero ser um trem e quero não passar.

Quero ser palhaço, malabarista e bailarina.

Quero ser a Dorothy, uma animação e o céu.

Quero ser a cor, o tom e a música certa.

Quero que chegue o dia e quero escrever meu primeiro roteiro de verdade.

Quero ser a personagem e quero ser a sonoplastia, quero ser o close e o macro.

Eu só quero ser por saber que posso tudo que quiser, então eu quero tudo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Querido Jimmy,

como andam as bandas por aí?

Aqui tocam quase todos os dias. Felizes.

Desde que você resolveu partir as coisas andam voltando pra cá, seu lugar de origem, uma a uma gradativamente e sem pressa. Melhor.

Todos mandaram notícias esses dias, mas nada que remetesse a ti ou alguma parte que deixastes em algum outro lugar ou em outra pessoa, senti falta. Senti.

Não me abala mais o faltar, sempre tem alguma coisa faltando mesmo, mas se mandasse um postal eu guardaria, como te guardo. Sem raiva, sem ressentimentos, sem medo.

Estou completamente recomposta, meu pedaços foram catados com ímãs, daqueles bem fortes, suficientemente fortes pra me pôr no eixo. No eixo “x” que é onde devo ficar. De pé, inteira. Completa.

Mando notícias minhas sem saber se as quer, mas mando por achar que ainda se preocupa e gostarias de saber da descoberta que fiz, do quão posso me defender do mundo sem ter que arriscar minha felicidade. Sem riscos! Não é perfeito querido Jimmy?

A muda de jasmim que plantou começa a florescer em alguns dias, ela está tão bonita, teria gosto em vê-la tão firme, diferente de como a deixou. Cuidei com carinho. Amor.

Guardei o lenço que esquecestes em cima do velho piano. Não por ser teu, mas é que tinha um cheiro bom de erva-doce. Ainda tem.

As crianças andam sentindo falta tua, acho que por demais, não há um dia em que não me lembrem que partiu, mas são todas tão carinhosas que ontem eu reparti um bolo de erva-doce pra todos, pra ver se esqueciam da partida mais dolorosa. Esqueceram; fiquei toda prosa.

Proseei com tua mãe dia desses, ela estava tão triste quanto uma mãe pode ficar quando um filho vai em busca de seus sonhos, mas confiante em você, como todos. Se fosses meu filho te prenderia a correntes de vinte milímetros para que não tivesses alternativa. Se fosses meu.

Tentei alguma proximidade com teus amigos, mas eles acham que faço pouco caso da tua ida, acham que não te dei opções muito viáveis e que tivestes razão em ir, mas eu te dei mais que opções, eu te dei uma razão que seria tão maior que qualquer galáxia. Eu te dei mais do que todos acham, era algo só meu, por sorte não foi por inteiro contigo. Então, eu só quero ver você ter o que quiser desse mundo, cada pedaço desse mundo que parece nunca se partir. Fico feliz se conseguir, e ficarei mais feliz ainda se voltasses pra dizer que conseguiu. Pra mostrar a todos, com sorriso no rosto, seu mais novo troféu. Só seu.

Estou me prolongando em cartas, conversas, devaneios e olhares vazios, mas eu tenho tanto pra revelar pro mundo que não ligo de me perder um pouco agora, ainda mais agora que estou completa, só me falta saber o que eu quero. Eu estou sabendo de tantas coisas ultimamente, são tantas coisas que sempre fizeram falta, só agora pude ver o tempo desperdiçado.

Então, espero que esteja bem, de coração, e espero que respondas, mas se não responder, tudo bem, eu entendo como uma mensagem positiva de que estás completo também.

Vou ficando por aqui com a carta, porque eu ainda preciso alcançar a minha completa felicidade, e ela não está nesse pedaço de papel. Ainda bem que ela não é só papel, só isso.

Um beijo doce e um abraço aquecedor de erva.

Judite.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Canções de Rei - Max Viana

Se eu fosse algum rei, fosse o teu senhor ____________ Eu proclamava à tua boca um reinado meu ____________ O teu corpo nu, o meu santuário ____________ Se eu fosse algum rei, teu imperador ____________ Eu ordenava teu coração a gostar do meu ____________ Cada dia teu, meu calendário ____________ Inventava canções de rei, conquistava o seu amor ____________ Desobedeceria a lei, revelava quem eu sou ____________ Te mostrava que só eu sei onde tudo começou ____________ Inventando canções de rei pra enfeitar o nosso amor ____________ Se eu fosse algum rei, fosse algum rei ____________ Eu proclamava à tua boca um reinado meu ____________ O teu corpo nu, o meu santuário ____________ Se eu fosse algum rei, teu imperador ____________ Eu ordenava, teu coração a gostar do meu ____________ Cada dia teu, meu calendário ____________ Inventava canções de rei, conquistava o seu amor ____________ Desobedeceria a lei, revelava quem eu sou ____________ Te mostrava que só eu sei onde tudo começou ____________ Inventando canções de rei pra enfeitar o nosso amor

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Só isso

- É sempre bom pra você se divertir com a minha cara!

- É sempre bom pra todo mundo, afinal, só você faz o que faz.

- O que eu faço?

- Essas coisas que só você faz, essas coisas erradas e engraçadas...

- Nem faço por mal.

- Se fosse por mal não seria tão engraçado, isso é o legal em você!

- Sou tua piada diária né? Só sou legal por isso!

- Não, nem é só por isso.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Imagine

Por um dia não usarei nem de prosa nem de verso, não escreverei contos, nem mentiras teatrais ou falas aleatórias de conversas inexistentes.

É que uma vez eu vesti um personagem e gostei, até me cansar dele. Vesti muitos personagens até estar aqui como estou. Não, não sou assim. Ainda sou alguém que não conheço, mas não necessariamente um personagem.

Eu estou aqui e por mais que não possas me ver, existo.

Estou por mim e por alguém, alguém de quem não digo nome, alguém bem conhecido.

Não digo nome, porque nomes idealizam personagens e não quero que ele seja mais um personagem dessas falácias desastrosas que escrevo.

Descanso meus olhos sobre folhas de papel cheias de linhas e rabiscos tortos, que hoje com sorriso no rosto leio, escrita tua, em letra de forma, com forma única.

Forma que se manifesta em tudo, principalmente em mim.

É que depois que você apareceu, tenho tanto pra dizer-te, tenho tanto o que agradecer, tanto pra aproveitar disso... Me abres leques de mudanças e nas mudanças oportunidades de mudar mais. Nunca abriu o coração por que então?

Sempre preferi sem jogos, mas se é pra jogar que não roube. Não me roube a oportunidade de te saber mais.

Sei de tuas preferências e de seus desgostos, sei das tuas coleções e dos teus amigos, sei dos teus amores, sei que são difíceis, e por graça divina faço parte deles. Sei dos teus modos e conheço tuas gírias e sei que nessa vida, tu nasceste só pra ganhar. Aqui estou.

Sei que não sei nem metade, por isso as oportunidades contigo são tão únicas.

Estou aqui pelas partes faltosas do quebra-cabeça, pela tua presença e pela saudade que paira no ar.

Estou pelas palavras rudes, pelas palavras doces e pelo que ainda há de falar. Pode parecer um estar tão vazio, mesmo vazio tão volúvel, e mesmo assim é na verdade tão cheio de ti, que já não sei mais se sou eu e ponto ou se somos nós e vírgula.

Ensina-me a pontuar melhor, minhas palavras ainda tocam seu rosto sereno e fazem carícias nos seus cabelos.

Ensina-me a falar melhor, sei que minha dicção deixa a desejar, mas é em teu coração que desejo chegar.

Então ensina-me a ser melhor, porque desde que me abriste um sorriso, aprendi a sonhar.

Aprendi mesmo.

domingo, 14 de junho de 2009

Só hoje

Hoje, só hoje eu resolvi que vou esperar você voltar

Então só hoje, não demore

Eu me desmenti hoje, mais uma vez

Mais de uma vez

Por você eu faria mil vezes

Que plágio inútil

Acontece que foi passear

Me diga onde que vou buscar

Sua alma, sua alma

De volta ao lar

Coração

Anda partindo ao meio

Como se conseguisse partir tantas vezes sem estar inteiro

Partirei de vez

Mas é pra encontrar

A cidade onde eu perdi minha última lágrima de diamante

O diamante estampado na blusa

O menino estampando um leve sorriso

Eu não sabia que você sorria

Já vi

Mas não foi pra mim

A lágrima rolando na face

É sempre de mim que nasce

O que te faz sentir mais forte

O encontro de dois

Não

Um e meio

Sempre pela metade

Sempre a parte que deveria partir

É o tal do

Ir-remediável

Acho que não tem remédio

Acho que é hora de ir

Porque hoje, só por hoje eu resolvi te esperar voltar

E você voltou

Mas não foi pra mim

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Rue vide

Na rua vazia é onde ela começa e termina

Pelas pedras perdidas é por onde se guia

Ela é um pássaro

Um pequeno passarinho

Azul

“-Então, talvez você queira seguir por aqui.”

“-Pra que escolher?”

“-Pensei que tivesse preferências...”

“-Não, a não ser que você fique.”

“-Sem chance.”

“-Então eu apenas vou.”

Ela se entrega a longas horas

Por via das dúvidas entrega-se também ao que há de vir

Entrega-se ao que lhe pertence e ao que nunca lhe pertencerá

Entrega-se aos que esperam e aos que hão de esperar

“-Se eu resolver ficar?”

“-Então fique.”

“-Mas com que finalidade?”

“-Não me pergunte do final agora, estamos no início.”

Ela frequenta casas de pessoas mortas

E está se perdendo em bordados sem vida

O que ela está esperando?

Do que ela fala quando me olha nos olhos?

“-Se eu disser alguma coisa você pode...”

“-Quer que eu responda certo?”

“-Certo.”

“-Não tenho respostas prontas, quer dizer, você quer respostas prontas?”

“-Eu só espero por respostas.”

Coloca as mãos inquietas sobre a mesa, mesa inquieta agora também

Todos têm suas próprias razões, ela vende as dela

Sem juízo, juízo a condena, prisão perpétua em mim

Ela sai por detrás das flores num novo desabrochar

Nasce e renasce entre tulipas e rosas com cheiro de alecrim

Aproveite a estação querida, enquanto seus cachos têm sabor de uva

Hoje eu a levarei pra casa, cem gotas de chuva

“-Me parece o certo.”

“-Não me parece nada, onde está o colorido?”

“-São só lápis de cor e papéis amassados!”

“-São cores e coloridos, aprende a falar errado!”

“-Mas porquê?”

“-Porque o certo nem sempre é o que a gente procura...”

“-Se eu achar cores e coloridos eu ganho algo?”

“-Te dou um arco-íris, o meu arco-íris.”

Sete é pouco, ela quer mais

Se o dobro é pouco, dobra mais

Já fizeram promessas demais

Estava cansada de ser a menina que espera

Espera vazia numa rua onde ela começa e termina

Sozinha

One Day

Hoje é um daqueles dias em que tudo foi pro saco.

Eu fui pro saco em partes. Despedaçada.

Hoje é o tipo de dia em que os sentimentos invadem em conjunto só pra confundir.

Hoje é um dia em que eu não preciso que ninguém me ouça para que eu possa me confessar.

Confesso que de início foi só nervosismo, depois insegurança, em seguida foi tanta auto-confiança e felicidade que eu inflei.

Os olhares me intimidaram daí por diante eu já não sei, foi tanta coisa junta, só o ciúme se fazia constante, o porque eu nem sei.

Confesso que me enchi de ciúme e murchei.

Se pudesse não sentir preferiria, já não sei se o não saber sustenta por muito tempo esse teto de vidro.

Lindo teto de vidro. Mosaico. Vitral.

Estremeci, fiquei quieta, depois inquieta, por fim calei.

Sussurrei qualquer coisa mentalmente, pra que não houvesse perigo, pra me controlar.

Pensei que era pra fazer durar, acho que errei, então chegou a frustração e o dia foi pro saco.

Errei, tudo bem, dessa vez não variei em nada.

Culpa minha, esses dias estou um pouco sem graça, sem brilho, sem tudo, sem nada.

Já não sei se é só ciúme então, nem se está fundamentado. Meu subconsciente está esgotado, acho que as respostas vão demorar a chegar.

Rebobine, por favor!

Procure por isso, procure saber.

Eu estarei lá e você?

Oh! Clichê demais isso de fazer parte de um cenário, mas no filme dele nem me importo de não ser a atriz principal. Só desejo escrever o roteiro perfeito, onde ninguém se perde no início e onde não haja final.

Rebobine, por favor!

O resto pode esperar. Todos os restos, eu vou juntar, mas depois do principal.

OLCIC

Me liga que eu te ligo de volta.

Vamos fazer direito o ciclo dessa vez.

Está claro que alguma coisa mudou, me mostra o que permaneceu.

"-Seja paciente!"

"-Tem vezes que paciência acaba!"

"-Eu nem ligo."

"-Só tô com pressa pra ser feliz."

"-Estou tentando, estou tentando..."

"-Se reticências dessa vez ok?"

"-Ok."

sábado, 6 de junho de 2009

Tinta Solidão

Entrou pela porta, passou pela sala e automaticamente tentou ascender a luz do corredor como sempre, mas a luz havia queimado.

Não lhe importava muito, não havia mais o que ver ou apreciar, ela já não estava mais no recinto, no seu lar, seu reino.

“-Um dia todo mundo tem que partir, você também, você também...” – Balbuciou, como se fosse segredo.

Ele estava nitidamente abatido e com o dedo cortado, pela falta de intimidade com cozinha, decidiu nunca mais mexer em nada visivelmente afiado daquela parte da casa.

Pegou uma taça e o vinho que ela levou da última vez em que esteve lá, onde ele, agora, se encontrava sozinho. Pegou outra taça, encheu as duas e brindou com a solidão.

“-Ela não vem mais, nunca mais e agora estamos a sós novamente, bem vinda Solidão! Teu nome é bonito, começa com “Sol”, mas de cor e tom não me traz nada".

Tomou todo o conteúdo da sua taça e deixou sua companheira confortável para que demorasse o quanto quisesse por ali, apreciando o tal vinho, que na boca de outra já teve gosto mais doce.

Talvez precisasse que a solidão lhe ensinasse que o “nós” pode ser muito melhor do que o “eu” descontrolado, vagabundeando pelos lados, mas sem lado nenhum escolher.

Nós, eu, sempre teve dificuldade em separar uma parte pro todo, era tão acostumado com a individualidade que ser de mais alguém além de si mesmo lhe trazia sensação de fobia ou qualquer coisa que o valha. Não se trata de egocentrismo, é só desacostume.

A falta que ela fazia até o momento em que ele pegou no sono seria preenchida logo, pelo trabalho e por outras Solidões acompanhadas de vinho tinto e seco do porto mais próximo.

Mas enquanto achava que para dois não era preciso usar de plurais ou coletivos, mal sabia ele que durante muito tempo estaria atado em nós.

Daqueles que prendem bem forte.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Lá.

Não se procure em mim, acha-te e estarei lá.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Quase sempre nunca

-Que importância você dá as pessoas? Você quer e não quer nada! Você nunca sabe o que quer!

-Eu sei o que eu não quero e isso me basta.

-Então você não quer isso? TUDO ISSO? Eu posso te dar tudo isso!

-Eu não quero assim.

-Só saber o que você não quer é pouco pra mim.

-Eu nunca precisei de muito.

-Mas eu sempre precisei de tudo, e você não é a mesma!

-Ninguém é.

-Mas antes era tão diferente, hoje você não é nem metade do que já foi.

-Hoje eu sou tão mais do que antes, que me transbordo a todo momento e você nem vê.

domingo, 31 de maio de 2009

Muito obrigada.

"...Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que eu não sei usar amor: às vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha. Venha antes que seja tarde demais."

- Lispector, Clarice

- "Deus"(1968) in A descoberta do mundo (1984)

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É a minha forma de agradecer as mais de 2000 visitas, mais até porque o contador só começou a rodar depois de mais de meia vida de blog.

Só digo que hoje, embora tenha amor dentro de mim, continuo inquieta, porém feliz. Deus veio com diversas formas e jeitos até mim, até que eu pude ver que nunca é tarde demais.

Então, mesmo que essas 2000 visitas tenham sido repetidas, foram as repetições mais valiosas que eu já tive até o momento.

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"Eu tenho a vida inteira pra me arrepender..."

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Mas não vou.

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Um beijo grande pra quem passou, passa e passará por aqui.

Quantos estão no caminho?

Quantos caminharão por ele?

Au Revoir espera você passar.