quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Um momento de perfeição

Ele me disse que Neruda salvaria o mundo!

E prometeu que no final dançaríamos tango

Ele escreveu histórias sob a luz de candelabros reluzentes

E falou alto, porque era diferente

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Cremou pessoas para se salvar

Incendiando casas à beira do mar

Teve suas visões deturpadas pela política

Todos seus escritos manipulados pela crítica

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Se era pra ser, pra que será que se destina?

Se no fim do jogo da sua história de vida

Tinha um 'que' de não se arrepender

Eram suas vontades todas proibidas

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Ele ia de encontro ao certo, mas fazia o incerto sem saber porque

E perfurou corpos com sua língua afiada

E as palavras dóceis, guardava para as mulheres que encontrava

Um floco de neve único e especial

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Não era pra ser amor

Nem uma forma de punição

Mas ele tinha um retrato em uma moldura oval

E todos seus pecados eram psicodelicamente focados ali

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Ele fumava um ou mais.

Cem sonetos de amor e outros cem

Entre goles e tragadas

Era entregue, em pedaços, o alfarrábio

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Ele não tinha um alterego perdedor para amenizar a sua dor

Ele nunca soube o que foi perder

Mas só depois que perdemos tudo é que estamos livres para fazer qualquer coisa

As coisas que você acha que possui sempre acabam te possuindo

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Substâncias opacas e luzes foscas

Mãos trêmulas e desorientação mental

Ela acabava com ele...

Ele se acabava por ela

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Um momento de perfeição vale qualquer esforço.

Um momento é o máximo que se pode esperar da perfeição

A perfeição é tão fugaz...

A perfeição existe?

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