terça-feira, 8 de abril de 2008

Faz algum tempo...

Há 15 anos, eu tinha dois anos e nem me lembro de muita coisa, talvez não me lembre de nada concreto daquela época, só o que contam do passado...

Há 10 anos, eu tinha sete anos e eu lembro de flashes da minha vida desde os meus 4 anos de idade... Não, não são tão bons e poderiam sim ser apagados...

Há sete anos, eu tinha 10 anos e na verdade, eu não sabia de verdades, e foi nessa época que eu comecei a aprender as verdades que ainda não tinham mostrado. Foi todo um conjunto de intrigas e felicidades, misto de desejo e irrealidade, tantas sensações que nem pareciam de verdade. Teve aquela melhor amiga, teve aquelas brigas, reaproximações, amores platônicos, muitos, muitos mesmo, daí que esses amores se estenderam além do que deviam, mas daí que eu já tinha treze anos e isso...

Há quatro anos atrás, eu descobri o beijo, não foi nada avassalador, mas mudou o meu modo de pensar, de certa forma, daí que essa foi a época do anonimato, eu não fazia falta, nem muita diferença, se soubessem meu nome, já era um grande avanço! Eu era só aquela menina que não falava, a menina bonitinha, pequenininha da sala do fulaninho, mas quem era ela mesmo? Ah deixa pra lá, sabe a Gabi que gata, pô cara, me deu mole!

Há dois anos, eu aprendi o real sentido de ignorar! Digo Ignorar, não ignorância, mas na minha forma de agir parecia a mesma coisa... E a vida parecia não ter me ensinado a melhor forma de aceitar decepções... Mas daí que os amores platônicos indo embora, algo teria que ficar no lugar deles, e como amor é algo que ocupa um grande espaço, Ignorar e Ignorância entraram no lugar dele, apenas uma não preencheria todo o vazio que os amores deixaram por dentro... Não que eu me sinta orgulhosa por tais ocupações...

Mas daí que...

Foi há um ano que eu tive algumas outras histórias paralelas, ‘quebrando’ de certa forma todo o meu ignorar, coisas que realmente me importavam, que eu não poderá deixar passar, mas passaram, daí a Ignorância tomou um lugar maior deixando o ignorar meio apertadinho, mas ainda tentando se fazer presente. As coisas passaram e mais metros de roupas sujas lavadas, mais algumas que ficaram por lavar, outras que foram embora com os respectivos donos, outras que a gente deixa ficar bem suja mesmo, até que rasguem de vez...

Tiveram outras tantas coisas que passaram, que eu passei, despercebidas ou não, importantes ou não, pela janela, ou por cima do muro, às vezes do lado, do lado oposto, do lado que eu não olhei, ou de um lado que não era meu... Mas nenhuma dessas coisas foi capaz de preencher todo a falta que o amor ainda faz, no vazio, só inxerto de ignorância, muitas vezes ignorada e pseudo-sentimentos frágeis e manipuláveis, mas nada, nunca tomou o real lugar, ‘O Lugar Real’ do sagrado Amor.

Mas foi a bem pouco tempo que eu pude perceber o quão frágil uma pessoa pode ser, e como o amor fragilisa um ser, o quanto a gente se muda pelo outro e o como é grande a vontade de fazer o outro igual a gente... Pra ser igual? Pra poder dizer que coisa perfeita não? A gente se combina! Ou simplesmente pra poder ter a certeza de que tem um fantoche nas mãos.

“-... E, apesar de achar o planeta lindo, apesar de achar a raça humana linda, ela não tem nada a ver comigo”.

Definitivamente, eu não vou me adaptar.

Juliana Marques.

2 comentários:

Camillo disse...

Também não vou me adaptar, Juliana, não vou. Se você soubesse o quanto eu já mudei, o quanto minha essência está sendo violentada para que eu possa me adequar a uma realidade que não é a minha, se você soubesse... Mas pela primeira vez estou fazendo isso de forma adulta e responsável, mas por que será então que o meu peito continua oprimido por uma angústia tão conhecida quanto indesejável? Apaixonado, eu esquecia quase que inteiramente de mim mesmo só para me encaixar nos meus sonhos mais delirantes. E agora, não se esquece mais de você? Pensando bem, sim, ainda me esqueço. A diferença é que hoje eu tenho consciência disso. Portanto, amadurecer é: trair-se conscientemente.

Camillo disse...

Parabéns por seus textos! Eu posso ficar um instante sem palavras? ^^

Beijules!