domingo, 27 de abril de 2008

Menina Elefante

A qualquer momento, em qualquer ocasião, inesperadamente ou não, você vai levar a culpa por algo que fez ou deixou de fazer.

Vulnerável, todos estamos a todo momento, a diferença está em como demonstramos isso.

Você sempre será rotulado como mentiroso por omitir pequenas coisas, suas e só suas.

E você vai pagar ao psicólogo por querer que alguém te escute, enquanto ele pensa na amante que o espera mais à noite.

E vai procurar amores e vai guardar várias dores pra tentar ser feliz...

Vai ser culpada pelo que te culpam e pela culpa que já sente.

E a falta que você vai sentir de algo que deixou partir e mais culpa.

Vai se culpar por não ser perfeita, por cada erro, pelos seus medos e suas tentativas errantes, pelas escolhas erradas.

Julgada a cada passo que dá adiante, cada passo que parece te fazer regredir.

Vai lembrar de cada sonho que abandonou em um beco escuro ou ofereceu ao mar para que se afogasse.

Vai ganhar beijos com sabor de cigarro, nitidamente comprados com a sua dor.

E tudo vai ser sua culpa, todos precisam de um “Elefante Branco" de um “Bode Expiatório”, todos precisam de algo pra culpar, por não ser capaz de suportar as próprias falhas.

Ao final de sua vida, você vai por à peso, o quanto já sofreu e daí eu te pergunto...

De que isso valeu?

E quando a sua memória tiver tantas falhas quanto a sua vida e seus amores... Será que quem você escolheu lembrar, vai se lembrar de você?

Texto por: Juliana Marques.
Imagem: killing Time, de Sas Christian.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

ANNABEL LEE

Foi há muitos e muitos anos já, Num reino de ao pé do mar. Como sabeis todos, vivia lá Aquela que eu soube amar; E vivia sem outro pensamento Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança, Neste reino ao pé do mar; Mas o nosso amor era mais que amor -- O meu e o dela a amar; Um amor que os anjos do céu vieram a ambos nós invejar.

E foi esta a razão por que, há muitos anos, Neste reino ao pé do mar, Um vento saiu duma nuvem, gelando A linda que eu soube amar; E o seu parente fidalgo veio De longe a me a tirar, Para a fechar num sepulcro Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu, Ainda a nos invejar... Sim, foi essa a razão (como sabem todos, Neste reino ao pé do mar) Que o vento saiu da nuvem de noite Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor De muitos mais velhos a amar, De muitos de mais meditar, E nem os anjos do céu lá em cima, Nem demônios debaixo do mar Poderão separar a minha alma da alma Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos Da linda que eu soube amar; E as estrelas nos ares só me lembram olhares Da linda que eu soube amar; E assim estou deitado toda a noite ao lado Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado, No sepulcro ao pé do mar, Ao pé do murmúrio do mar.

Edgar Allan Poe.
Obs.: Post para Camilo Landoni, amigo, presente, acima de tudo. Para tentar agradecer, em parte, o tanto que me ajudou. Um pouco de Poe para lembrar Nabokov, e para completar uma imagem de "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembraças", porque tudo isso lembra muito mais do que o óbvio, porque são coisas incomuns, que interligadas dizem muito para mim sobre a nossa amizade. Não se esquecendo de Beethoven entre cada gole de café expresso que um dia tomaremos juntos... Obrigada por tudo.

Um sonho num sonho...

Este beijo em tua fronte deponho! Vou partir. E bem pode, quem parte, francamente aqui vir confessar-te que bastante razão tinhas, quando comparaste meus dias a um sonho. Se a esperança se vai, esvoaçando, que me importa se é noite ou se é dia... ente real ou visão fugidia? De maneira qualquer fugiria. O que vejo, o que sou e suponho não é mais do que um sonho num sonho. Fico em meio ao clamor, que se alteia de uma praia, que a vaga tortura. Minha mão grãos de areia segura com bem força, que é de ouro essa areia. São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos dedos, para a profunda água escura. Os meus olhos se inundam de pranto. Oh! meu Deus! E não posso retê-los, se os aperto na mão, tanto e tanto? Ah! meu Deus! E não posso salvar um ao menos da fúria do mar? O que vejo, o que sou e suponho será apenas um sonho num sonho?

Aaaah... Edgar Allan Poe.

domingo, 20 de abril de 2008

'Eu quero me levantar, eu quero me libertar. Outra dor de cabeça, outro coração partido. Eu sou muito mais velho do que eu posso agüentar. E meu afeto, bem, vem e vai. Eu preciso encontrar a perfeição, não. Acabado, último chamado para o pecado. Enquanto todo o mundo está perdido, a batalha é vencida. Com todas estas coisas que eu fiz. Eu caminhei triste por uma rua ou duas. Mas agora encontrei o lucro do sol. Que brilha sobre você e eu. Olhando para o Pôr-do-sol no leste. Nós perdemos a música do momento. Sonhos não são o que costumavam ser. Algumas coisas pararam sem se importar.'
Autor desconhecido.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Fim.

Tem coisas que cansam muito, tem coisas que cansam pouco, mas tem coisas que cansam SEMPRE e independente da intensidade, a gente tem que tomar atitudes para que não nos faça mal. Sempre pensando na gente, não é assim o esquema agora? Tem pessoas que não valem nem menos da metade do que a gente já deu ou ajudou. E eu cansei de você, e cansei da sua alegria constante, da sua falsidade irritante, da sua bondade absurdamente chata, cansei do seu jeito de ser, e da falta de valor que você tem com as coisas e pessoas que realmente gostam de você. Cansei de me importar com você, com o que você faz ou deixa de fazer. Acho que já chegou em um estágio super avançado, porque até da sua voz eu já me cansei! Se você não se importa, eu com certeza me importo muito menos! (y) Porque você é do tipo que ta cercada de pessoas, mas na realidade, ta sempre sozinha, porque as pessoas cansam de você como eu cansei! E quando você parar pra olhar melhor, nem eu vou estar do seu lado! ( não mais ) Então, já faz um tempo que eu decidi e hoje eu resolvi falar. Me declaro livre de TUDO, livre de você, das suas coisas fúteis, de todas as ajudas que eu já te dei, de todas as vezes que você me colocou em furada, de tudo que você já fez! É como se eu deletasse, 4 anos, 6 meses e alguns longos dias de uma amizade (?) que não valeu absolutamente de nada! Obrigada por não mais existir pra mim, agora eu posso dizer... FIM.
Juliana Marques.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Faz algum tempo...

Há 15 anos, eu tinha dois anos e nem me lembro de muita coisa, talvez não me lembre de nada concreto daquela época, só o que contam do passado...

Há 10 anos, eu tinha sete anos e eu lembro de flashes da minha vida desde os meus 4 anos de idade... Não, não são tão bons e poderiam sim ser apagados...

Há sete anos, eu tinha 10 anos e na verdade, eu não sabia de verdades, e foi nessa época que eu comecei a aprender as verdades que ainda não tinham mostrado. Foi todo um conjunto de intrigas e felicidades, misto de desejo e irrealidade, tantas sensações que nem pareciam de verdade. Teve aquela melhor amiga, teve aquelas brigas, reaproximações, amores platônicos, muitos, muitos mesmo, daí que esses amores se estenderam além do que deviam, mas daí que eu já tinha treze anos e isso...

Há quatro anos atrás, eu descobri o beijo, não foi nada avassalador, mas mudou o meu modo de pensar, de certa forma, daí que essa foi a época do anonimato, eu não fazia falta, nem muita diferença, se soubessem meu nome, já era um grande avanço! Eu era só aquela menina que não falava, a menina bonitinha, pequenininha da sala do fulaninho, mas quem era ela mesmo? Ah deixa pra lá, sabe a Gabi que gata, pô cara, me deu mole!

Há dois anos, eu aprendi o real sentido de ignorar! Digo Ignorar, não ignorância, mas na minha forma de agir parecia a mesma coisa... E a vida parecia não ter me ensinado a melhor forma de aceitar decepções... Mas daí que os amores platônicos indo embora, algo teria que ficar no lugar deles, e como amor é algo que ocupa um grande espaço, Ignorar e Ignorância entraram no lugar dele, apenas uma não preencheria todo o vazio que os amores deixaram por dentro... Não que eu me sinta orgulhosa por tais ocupações...

Mas daí que...

Foi há um ano que eu tive algumas outras histórias paralelas, ‘quebrando’ de certa forma todo o meu ignorar, coisas que realmente me importavam, que eu não poderá deixar passar, mas passaram, daí a Ignorância tomou um lugar maior deixando o ignorar meio apertadinho, mas ainda tentando se fazer presente. As coisas passaram e mais metros de roupas sujas lavadas, mais algumas que ficaram por lavar, outras que foram embora com os respectivos donos, outras que a gente deixa ficar bem suja mesmo, até que rasguem de vez...

Tiveram outras tantas coisas que passaram, que eu passei, despercebidas ou não, importantes ou não, pela janela, ou por cima do muro, às vezes do lado, do lado oposto, do lado que eu não olhei, ou de um lado que não era meu... Mas nenhuma dessas coisas foi capaz de preencher todo a falta que o amor ainda faz, no vazio, só inxerto de ignorância, muitas vezes ignorada e pseudo-sentimentos frágeis e manipuláveis, mas nada, nunca tomou o real lugar, ‘O Lugar Real’ do sagrado Amor.

Mas foi a bem pouco tempo que eu pude perceber o quão frágil uma pessoa pode ser, e como o amor fragilisa um ser, o quanto a gente se muda pelo outro e o como é grande a vontade de fazer o outro igual a gente... Pra ser igual? Pra poder dizer que coisa perfeita não? A gente se combina! Ou simplesmente pra poder ter a certeza de que tem um fantoche nas mãos.

“-... E, apesar de achar o planeta lindo, apesar de achar a raça humana linda, ela não tem nada a ver comigo”.

Definitivamente, eu não vou me adaptar.

Juliana Marques.
"Minha vida não foi um romance... Nunca tive até hoje um segredo. Se me amas, não digas, que morro De surpresa... de encanto... de medo... Minha vida não foi um romance... Minha vida passou por passar. Se não amas, não finjas, que vivo Esperando um amor para amar. Minha vida não foi um romance... Pobre vida... passou sem enredo... Glória a ti que me enches a vida De surpresa, de encanto, de medo! Minha vida não foi um romance... Ai de mim... Já se ia acabar! Pobre vida que toda depende De um sorriso... de um gesto... um olhar..."
Mario Quintana.

domingo, 6 de abril de 2008

Rústica.

"Ser a moça mais linda do povoado, Pisar, sempre contente, o mesmo trilho, Ver descer sobre o ninho aconchegado A bênção do Senhor em cada Filho. Um vestido de chita bem lavado, Cheirando a alfazema e a tomilho... Com o luar matar a sede ao gado, Dar às pombas o sol num grão de milho... Ser pura como a água da cisterna, Ter confianaça numa vida eterna Quando descer à "terra da verdade"... Meu Deus, dai-me esta calma, esta pobreza! Dou por elas meu trono de Princesa, E todos os meus Reinos de Ansiedade."
Florbela Espanca.

Doce Certeza...

"Por essa vida fora hás-de adorar Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca, Em infinito anseio hás de beijar Estrelas d´ouro fulgindo em muita boca! Hás de guardar em cofre perfumado Cabelos d´ouro e risos de mulher, Muito beijo d´amor apaixonado; E não te lembrarás de mim sequer... Hás de tecer uns sonhos delicados... Hão de por muitos olhos magoados, Os teus olhos de luz andar imersos!... Mas nunca encontrarás p´la vida fora, Amor assim como este amor que chora Neste beijo d´amor que são meus versos!..."
Florbela Espanca.

Trechos soltos de infinita beleza...

"Maria das Quimeras, que fim deste às flores de oiro e azul que a sol bordaste, aos sonhos tresloucados que fizeste?

Pelo mundo, na vida, o que é que esperas?... Aonde estão os beijos que sonhaste, Maria das Quimeras, sem quimeras?"

Florbela Espanca.

---------------------------------------------------------------------------------

"Eu quero amar, amar perdidamente ! Amar só por amar: Aqui ... além... Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente ... Amar ! Amar! E não amar ninguém !

e no final da quadra seguinte

Quem disser que se pode amar alguém Durante a vida inteira é porque mente!"

Florbela Espanca.

Inspiradora, encantadora...

"Fiz para ela este poema, a fim de que, com os olhos brilhantes , a fulgir como os gêmeos de Leda, ela possa encontrar seu nome, nesta folha aninhado, e escondido a outras vistas curiosas. Perscruta em cada verso!Um segredo eles guardam, um celeste amuleto, um talismã divino que não se deve usar fora do coração! Os ritmos , letras, sonda! E nem sequer te olvides do ponto mais trivial ou será em vão o esforço! E não há, entretanto, aqui, qualquer nó górdio que só se chegue a abrir com o fio de aguda espada, desde que do segredo a trama se compreenda. Vê! Estão dormindo, bem perdidos nesta página em que abismas o teu olhar repleto de alma, três termos de eloqüente expressão, que os poetas a poetas falam, pois o nome é de poeta! E as suas letras , mau grado o nos mentirem, como mente o fidalgo Pinto Mendez Ferdinando, querem dizer " verdade"! Oh! Cessa a tua busca. Por mais que tentes, não decifrarás o enigma. "
Edgar Allan Poe.