quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Quando você vai perceber?




Eles dizem que tudo tem seu tempo, mas você pode perder um dia ou dois pra pensar ou pra sorrir. Eles dizem tantas coisas, não é mesmo? Eu posso esperar mais um pouco ou muito mais, quem sabe? Tudo pode ser como Viena em um dia frio e chuvoso ou pode ser melhor, eu não sei.
Você pode ter sua hora sozinha pra dormir ou cantar, quem vai dizer que é errado? E você pode esperar também, uma semana ou mais alguns minutos. A decisão é algo que só você pode tomar. 
A cidade inteira pode brilhar, mas não são todos que verão, então quem pode julgar quem? A decisão em suas mãos, segure firme ou deixe ir. 
Tudo isso pode esperar. Você tem um dia ou dois pra subtrair ou ganhar, você sabe. Eu posso te encontrar ou me perder, mas quem vai saber o que está esperando ao final? Apenas decida ou deixe pra lá, você pode perder algo grande ou ganhar todo o mundo. 
E você pode decidir agora ou levar um dia ou dois. Eles dizem que você não pode ser tudo o que quer ser antes do seu tempo, mas ninguém te conhece o suficiente. Você pode conseguir o que quiser ou pode apenas envelhecer.
Você sabe quando está mal, mas nem sempre saberá quando está bem, que tal pegar esse tempo e desaparecer por um dia ou dois? 
Viena pode esperar você brilhar.

sábado, 3 de novembro de 2012

Migalhas de você

Chego em casa, olho o relógio, dez da noite, ainda não chegou. Nem sei se vem hoje. Tá numa de cobrir turno, trocar o dia pela noite, de repente me coloca chifre e eu nem sei, mas agora são só dez horas e eu só sinto ausência.
Lembro de quando ela era completamente descontrolada por fazer planos, anotar cada detalhe e me obrigar a participar de seus devaneios, um tal de ir pra Teerã, querer ser da Cruz Vermelha, salvar o Greenpeace e as baleias, tudo ao mesmo tempo. Lembro também de imergir cada um de seus planos numa realidade escrota com a minha falta de tato. Então tomara que ela esteja me traindo.

Ligo a tevê pedindo pra que ela se arrependa e entre pela porta ofegante, se jogando em meus braços e suplicando desculpas, confessando erros, comendo na minha mão enquanto eu apenas digo -"Tudo bem, sua imperfeição faz com que eu pareça Deus. Me crava os dentes e me beija".
Tão triste, tá pra lá das onze e nenhuma ligação. Caixa de mensagens vazia, desterro no meu peito cinza. Ela não liga pro quão livre eu fico enquanto ela não está. Eu me saboto, posso jurar que o telefone tocou durante o banho, mas a secretária eletrônica só diz: sem mensagens.
Dá saudade dela. Dela e do vestido branco de algodão. Alguém abençoe aquele vestido branco e cada gota de chuva que caía sobre ele no primeiro encontro que ela teve com alguém.
Às vezes eu leio a mente dela e apenas diz - EU NÃO TE AMO MAIS! 
Eu não a (re)conheço há uns seis meses, mas a amo como se fosse chegar a qualquer momento. 
Já são duas da manhã e eu estou indo dormir sozinho novamente. Tomara que ela não desista de chegar.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Fim


-Então, eram dois peixes dourados num rio cor de diamante.
-Que diamante?
-Hope diamond.
-O que aconteceu?
-Eram dois peixes dourados em um rio diamanticamente azulado.
-Eu sei, mas o que aconteceu depois?
-Eles eram apenas dois peixes dourados, o que você quer que aconteça? Eles nadaram.

domingo, 21 de outubro de 2012

Imergir


Ele gostava da nossa música, até mais que eu, que foi quem escolheu. Ele ficava cantarolando às vezes e me irritava: Wherever you go, whatever you do, I will be right here waiting for you…
Tão cliché, nada original. Não tem nada de mim nessa música. É como uma piada que, no momento, virou nossa canção.
Essa música me soa forçada e a melodia dela está na minha cabeça, junto com você me dizendo pra não estragar tudo de novo. Com você me amarrando ao pé da cama, se certificando de que eu não posso me livrar disso ainda. Com você me fazendo de brinquedo de sexta a domingo e me dizendo pra ficar, mas sem expectativa de me soltar.
Essa melodia me prende como todas as coisas que você disse enquanto eu fingia não ouvir, enquanto estava preocupada em garantir o meu lugar entre os lençóis  azuis.
A gente é esse refrão bobinho e essa melodia batida que me irrita porque não é original. Nós não tivemos nem 90 minutos, pensei que era o mínimo das histórias de amor. Não nos encaixamos em nada além do silêncio do seu quarto, dos lençóis e do abraço.
Agora, sentados aqui, um olhando pra cara do outro como quem acabou de se expandir, eu poderia tentar nos definir, mas ainda não sei o que somos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Um Rei e o Zé


A saudade bateu forte hoje. Forte e sorrateiramente, da mesma forma que você chegou.
Deu vontade de te pedir um abraço e quem sabe, até um Nando Reis no violão. Deu vontade de cobrar o chimarrão e aquela conversa animada sobre o que ser quando crescer.
Passou tão rápido... Você foi eu demais. 
Rezaria por você todos os dias, se eu tivesse o hábito de rezar e pediria pra te manter protegido de todo mal e tristeza desse mundo. Pediria para que quando você não sorrisse, chovesse, como um sinal pra te fazer feliz e que se você sorrisse o sol  brilhasse diferente e o dia fosse laranja e ameno.
Se eu acreditasse em uma felicidade eterna procurava pra te dar, junto com alguns filmes pra dias nublados e um edredom.
Nossa definição é singularidade. 
Entre códigos e codinomes, segredos e nossa essência boreal.
Existe uma linha fina e invisível que faz uma ligação cardíaca entre a gente. E se aqui é sístole, aí é diástole. Vamos sobrevivendo com o que escolhemos ser.
Acho que às vezes a gente se engana e faz opções erradas, eu daria quantas chances você precisasse até conseguir acertar.
Mas sempre vai doer.